Um ano depois, famílias de vítimas do AF447 pedem transparência

Um ano depois da queda do voo AF447 da Air France no oceano Atlântico, as famílias das vítimas continuam a criticar a falta de transparência da investigação e pedem o lançamento de uma quarta fase de buscas pelos destroços da aeronave.

REUTERS

31 de maio de 2010 | 16h10

As famílias estão organizando para terça-feira uma cerimônia em homenagem aos mortos no parque floral de Vincennes, nas proximidades de Paris, para a qual são aguardadas 1.200 pessoas, e vão erguer um pilar com uma inscrição em memória das 228 vítimas mortas na noite de 31 de maio para 1o de junho de 2009.

O avião voava do Rio de Janeiro para Paris.

"Este aniversário triste não deve assinalar uma partida no caminho do esquecimento e da indiferença", escreveu Jean-Baptiste Audousset, presidente de uma das associações de familiares das vítimas, "Ajuda Mútua e Solidariedade AF447".

Em comunicado, a associação pede ao secretário de Estado dos Transportes, Dominique Bussereau, que assistirá à cerimônia em Vincennes, que se comprometa com a "transparência total."

Além de 50 corpos de vítimas, alguns destroços do avião, incluindo seu estabilizador, foram recuperados após o acidente.

Mas as três fases de buscas efetuadas no Atlântico com a ajuda de submarinos robôs não possibilitaram a recuperação dos destroços principais do Airbus A330-200 e, sobretudo, das caixas pretas, que poderiam revelar as causas do acidente.

A investigação técnica destacou a responsabilidade das sondas Pitot, que medem a velocidade do avião, mas o Escritório de Investigações e Análises (BEA) não quer interpretar o fato como mais que um elemento de uma "cadeia de acontecimentos" que teria levado ao acidente.

Nesta segunda-feira, Alain Jakubowicz, um dos advogados das famílias, mais uma vez acusou as autoridades de não quererem lançar luz plena sobre o acidente e exigiu que as famílias possam acompanhar todo o desenrolar da investigação.

"Nos relatórios do BEA, faltam as análises dos relatórios das autópsias. Os investigadores minimizam a participação das sondas Pitot (no acidente)", teria dito o advogado a jornalistas.

(Reportagem de Gérard Bon)

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