Divulgação/Torcida Os Farrapos
Divulgação/Torcida Os Farrapos

'Um cara do bem, tranquilo, sempre disposto a ajudar', diz amigo de homem morto no Carrefour

João Alberto Silveira Freitas era querido entre membros da torcida organiza Farrapos, do clube São José

Lucas Rivas, Especial para o Estado

20 de novembro de 2020 | 16h00

PORTO ALEGRE - Amigos de João Alberto Silveira Freitas, espancado até a morte em uma unidade do Carrefour em Porto Alegre nesta quinta-feira, 19, lamentaram o assassinato e descreveram Freitas como uma pessoa tranquila, humilde e sempre disposta a ajudar. 

Os amigos conheciam Beto, como ele era chamado, da torcida organizada Os Farrapos, do clube São José. A torcida convocou pelas redes sociais um protesto para ocorrer em frente ao supermercado onde o homem foi morto.

Beto é carinhosamente lembrado pelos amigos como uma pessoa do bem. “Ele era um cara muito humilde, muito gente fina, que se preocupava com a vida dele. Tudo isso poderia ser evitado, mas daí aconteceu isso tudo. A gente ia no estádio e ele sempre estava conosco nas horas boas e nas ruins, independente de como estava o São José”, recorda o estudante de design gráfico e integrante da torcida Matheus Borges Carneiro, de 18 anos.

O aeroportuário Robson Leite, 34, destaca que Beto era referência para a Farrapos. “Como o São José é um time de bairro, a gente conhece todo mundo. Sempre fazíamos um churrasco e ele sempre estava disposto a ajudar. Ele era uma pessoa tranquila, do bem e nunca teve problemas. Além disso, era um cara mais velho em relação aos demais integrantes da torcida”, recorda.

Leite diz que estará no velório marcado para ocorrer nesta sexta, às 16hm no Cemitério São João, no bairro IAPI, na zona norte de Porto Alegre. “Levarei uma bandeira do São José”, garantiu.

Além da ligação deles nas arquibancadas, os amigos também relatam que a presença de torcedores do clube no Carrefour era alvo de perseguição dos seguranças.

O Passo d'Areia, estádio do São José, fica próximo ao mercado. “Quando nós íamos lá, os seguranças ficavam nos olhando de cara feia e miravam as câmeras de segurança para nós”, afirma Carneiro.

“Como é um mercado muito próximo, todas as vezes que a gente ia lá, os seguranças iam na nossa direção achando que iríamos fazer algo. Sempre houve este estresse, mas desta vez foi fora da realidade”, diz Leite.

Em nota, o Esporte Clube São José, conhecido como Zequinha, prestou solidariedade aos amigos e familiares de Beto e criticou o racismo estrutural da sociedade.

“Neste Dia da Consciência Negra, nossa reflexão é um apelo por justiça. Na noite desta quinta, 19, nosso torcedor, João Alberto Silveira Freitas, negro, foi morto espancado por seguranças do hipermercado Carrefour. Mais um caso de violência que escancara a desigualdade de direitos que permeia o dia a dia da sociedade. Seja no futebol ou fora dele, o preconceito estrutural está presente, como uma chaga que não cura. Quando se fala em consciência, o que se pede é respeito a cada um, com seus valores e vivências. Chega de preconceito. Chega de desigualdade de direitos. Chega de desigualdade de oportunidades pela cor da pele. Chega de violência!”, diz o comunicado.

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