Um dia de Papai Noel, do Morumbi a Itaquera

Repórter se veste de bom velhinho para ouvir pedidos de crianças

Plínio Teodoro, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2007 | 00h00

Uma barba bem branquinha, aquele barrigão - mesmo postiço -, roupa vermelha, bota, cajado e saco de brinquedos. Muitos deixam de lado afazeres do dia-a-dia nesta época para levar o encanto do Natal a milhares de crianças. O repórter do Estado também incorporou o personagem do bom velhinho e circulou por dois shoppings da capital paulista - um no Morumbi, zona sul, e outro em Itaquera, na leste - para conferir os pedidos das crianças em duas realidades distintas - uma região pobre e uma área nobre da cidade. E descobriu que, mesmo com rotinas bem diferentes, elas têm desejos e sonhos muito parecidos."Papai Noel, quero um sorvete", pediu o pequeno Diogo, de 5 anos, após passar pela árvore gigante de Natal decorada com 6.500 cristais Swarovski no MorumbiShopping. O mesmo pedido havia sido feito por Cíntia, de 3, no Shopping Itaquera, do outro lado da cidade. "Criança é criança em qualquer lugar. Apesar de terem vidas diferentes, os sonhos são os mesmos e a figura do Papai Noel vai ao encontro dessa alegre delicadeza infantil", observa Moisés Ferreira da Silva, de 56 anos, que há oito vive o bom velhinho em shoppings, casas e favelas de São Paulo.As histórias são sempre carregadas de muita emoção e os pedidos, especialmente em tempos de crise, os mais inusitados. "Uma garotinha veio pedir emprego para os pais, pois estavam para ser despejados. Dias depois, voltou chorando muito, agradecendo pelo emprego que o Papai Noel havia dado ao pai dela", conta Silva, Papai Noel oficial do Shopping Itaquera.Um emprego, mesmo que temporário, foi também o presente de Dario dos Santos Felício, de 40 anos, que há quatro viu no jornal um anúncio para Papai Noel. "A barriga eu já tinha, então resolvi encarar e foi o melhor presente da minha vida", diz o hoje pastor evangélico. "Cheguei numa casa e havia uma criança que não falava. A primeira palavra dela foi Papai Noel, olhando para meu rosto. Isso não tem nenhum dinheiro no mundo que pague."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.