Um em cada três muda a forma de se deslocar em SP

Os congestionamentos têm mudado a rotina dos moradores da capital paulista e da Grande São Paulo. Pesquisa divulgada ontem pela Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP) mostra que 37%, um em cada três dos 3.200 entrevistados, mudaram a forma de se deslocar para cumprir compromissos neste ano. A mudança pode ser explicada pela demora para chegar ao destino: 51% das pessoas gastaram mais tempo em deslocamentos em 2008.O grande vilão continua a ser o congestionamento: 56% das pessoas chegam normalmente atrasadas ou até faltam a seus compromissos e 52% ficam estressadas, nervosas ou cansadas. A pesquisa foi feita entre agosto e outubro deste ano com usuários de ônibus e trens, motoristas, motoqueiros e pessoas que andam a pé.Segundo o diretor da ANTP, Rogério Belda, o fato de as pessoas mudarem a forma de se deslocar não quer dizer que trocaram, por exemplo, o carro pelo ônibus. "Isso ocorre. Mas os que andam de carro buscam novos caminhos. Surgem soluções que não vêm da administração pública, mas da população, como mudar o horário de sair de casa para não pegar o horário de pico no trânsito."No dia 9 de maio, o congestionamento na cidade bateu recorde: 266 km de vias paradas. Depois disso, a Prefeitura anunciou uma série de medidas, como o rodízio de caminhões para melhorar a fluidez. "Mas a única maneira de resolver é ter uma oferta de transporte público com qualidade. Nesse aspecto, São Paulo melhorou, mas também tem muito a fazer", afirma Belda.CONDUÇÕESA publicitária Graziella Borsatti de Lucca, de 22 anos, usuária da Linha 9 (Esmeralda) da CPTM, decidiu em fevereiro escapar das composições lotadas, segundo maior motivo de mudança de deslocamento. "Foi a melhor coisa que fiz." Ano passado, ela pegava o trem na Estação Jurubatuba e descia na Estação Ceasa. Agora, vai de carro com seu pai até a Estação Berrini e, de lá, segue para o destino final.

Marcela Spinosa, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2008 | 00h00

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