Um manifesto flutuante

Artista instala PET gigantes no Tietê, para denunciar poluição dos rios

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2008 | 00h00

Para chamar a atenção sobre a poluição dos rios metropolitanos, o artista Eduardo Srur vai colocar, em uma extensão de 1,5 quilômetro entre as Pontes do Limão e da Casa Verde, nas duas bordas da Marginal do Tietê, na zona norte de São Paulo, uma seqüência de 20 esculturas infláveis que remetem a grandes garrafas PET coloridas (que à noite ficarão acesas). Sua obra, que já passou por um teste ontem à noite, ficará pronta amanhã e poderá ser vista, segundo o artista, ''por mais de 1 milhão de pessoas por dia''. ''A garrafa PET é um elemento visual muito presente na superfície poluída da água. Agigantadas, simbolizam o lixo e o esgoto doméstico, os maiores poluidores dos rios metropolitanos'', diz Srur. Seu trabalho integra a exposição Quase Líquido, que será inaugurada amanhã no Itaú Cultural, na Avenida Paulista. A montagem ficará na Marginal do Tietê até 25 de maio.Desde 2004, Srur vem realizando obras em lugares públicos. A primeira, que chamou a atenção dos paulistanos, foi Acampamento dos Anjos, na Avenida Doutor Arnaldo. Ele colocou barracas de camping coloridas nos 23 andares do Instituto Doutor Arnaldo, que na época era apenas um grande esqueleto de concreto.Depois dessa obra, o artista ainda instalou uma grande âncora de borracha no Monumento às Bandeiras, de Victor Brecheret, no Ibirapuera; antenas de TV na fachada do Museu Brasileiro da Escultura (MuBE); e, em 2006, realizou a instalação de 100 caiaques ''pilotados'' por 150 manequins em um trecho de 3 quilômetros do Rio Pinheiros - com o passar do tempo, os caiaques ficaram encalhados no local, ao lado do lixo.Foi justamente esse fato inesperado, no Rio Pinheiros, que fez Srur imaginar o trabalho com as grandes garrafas PET - cada inflável de vinil tem 10 metros de comprimento por 3 metros de altura. ''São obras lúdicas e provocativas. Em ambas as ações, existe a reativação visual de áreas urbanas que se tornam invisíveis para a maioria da população. Mas as obras com as PET têm o diferencial de ser um empreendimento coletivo. A instalação exigiu meses de pesquisa técnica e participação de diversos profissionais e órgãos públicos'', afirma o artista.Os infláveis serão depois transformados em 2 mil mochilas a serem doadas a estudantes. A instalação também poderá ser vista durante excursões pelo rio em um barco. Interessados nas viagens podem ligar para (0xx11) 5094-4480.

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