Pablo Costa/ ICM 2018
Pablo Costa/ ICM 2018

Um matemático em busca da beleza

Prestes a completar 90 anos, Michael Atiyah é um dos destaques do Congresso Internacional de Matemáticos, que vai até dia 9 de agosto

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2018 | 13h43

RIO - Se a matemática é uma arte, um de seus virtuoses é Michael Atiyah. Às vésperas de completar 90 anos, o vencedor de dois dos maiores prêmios da área, a Medalha Fields e o Abel Prize, está longe de pensar em aposentadoria: é um dos maiores destaques do Congresso Internacional de Matemáticos, que está sendo realizado no Riocentro, na zona oeste. A mente ágil do cientista revela a beleza da matemática e seduz até mesmo quem nunca gostou de números.

"Matemática é uma arte", afirma, em conversa informal com jornalistas, pouco antes de sua palestra na tarde de segunda-feira. "Para ser um bom matemático é preciso ter a alma de um poeta. Quem não consegue ver a beleza da matemática não é um matemático. Autores, pintores, músicos, todos buscam a beleza. Por que seria diferente com o matemático?."

E isso não é apenas uma forma bonita e menos complicada de falar de matemática. Partiu de Atiyah a ideia para um estudo do neurocientista Semir Zeki, da University College London, que comprovou que, a despeito da natureza abstrata da matemática, ela desperta a mesma região do cérebro ligada à beleza visual e musical. O estudo, publicado em 2014, foi também assinado por Atiyah e acabou se tornando um dos seus trabalhos mais acessados e populares.

Entre os matemáticos, no entanto, Atiyah é mais conhecido pelo Teorema do Índice, provado junto com Isadore Singer em 1963 e pelo qual ele recebeu os dois maiores prêmios da matemática, a Medalha Fields, em 1966, e o Abel Prize, em 2004, junto com Singer. Nos anos 80, o teorema acabou contribuindo para a elaboração da Teoria das Cordas -- que busca unificar a relatividade geral com a mecânica quântica.

Grandes questões da matemática e da física continuam na mira de Atiyah aos 89 anos. 

"Se você ama matemática, você trabalha o quanto pode", explica ele. "Ano que vem farei 90 anos e estou aqui neste congresso. E aprendo sempre coisas novas, e misturo coisas novas com coisas antigas. O passado é uma parte importante da gente. Sou um homem velho e um homem novo ao mesmo tempo, e esta é a melhor combinação que existe."

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