Um nome de peso na SPFW

Luis Fiod é o primeiro stylist brasileiro a entrar na bíblia da moda

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2009 | 00h00

Toda vez que uma top sobe um ponto no ranking do models.com, site de referência da moda internacional, a repercussão no mundo fashion é imediata. Foi ali que Raquel Zimmermann ganhou o posto de nº 1 do mundo, em dezembro de 2007. Gisele Bündchen também está lá, porém, ocupando o primeiro lugar da categoria Ícones. Além das modelos, esse site reúne todos os profissionais envolvidos nos diversos desdobramentos do processo, ou seja, aqueles responsáveis por editoriais de revistas, campanhas publicitárias e desfiles. Pela primeira vez, um stylist brasileiro conseguiu destaque. É o paulistano Luis Fiod, de 35 anos, filho de descendentes libaneses, criado nos Jardins, bairro nobre da zona sul de São Paulo.Figura pouco conhecida do público, o stylist é fundamental na hora de colocar uma coleção nas passarelas. Uma mistura de diretor artístico, produtor e cenógrafo, escolhe as melhores peças da coleção, decide qual modelo combina mais com cada uma delas, e ainda o look que as roupas terão na passarela - a composição com os acessórios, maquiagem e cabelo. No Brasil, há nomes de respeito na área, incluindo Paulo Martinez, hoje editor da Meg!, Daniel Weda e Flávia Pommianosky. "Até eu me surpreendi quando amigos me avisaram que estava no models.com", diz Fiod. "Mas isso se deve ao volume de trabalho que faço no exterior." Fiod tem várias capas e editoriais em revistas internacionais famosas, como GQ, ID, Tatler e, no mês que vem, faz a primeira de Harper?s Bazar. Fiod começou a carreira do outro lado do mundo, na Suíça, durante uma viagem com Pedro Paulo Diniz. Lá, conheceu os donos de uma marca de relógios suíços, interessados em patrocinar desfiles de designers estrangeiros. "O Paulo disse para ele que eu era a pessoa mais indicada. Chamei então Walter Rodrigues e Ricardo Almeida, que já eram meus amigos na época." Esse foi o primeiro trabalho de uma série que viria depois. A partir daí, passou a montar editoriais de revistas jovens e pops no exterior.Talento, boa rede de relacionamento e estar no lugar certo na hora certa ajudaram-no a chegar aonde está. Fiod conheceu Pedro Paulo por intermédio de uma amiga, a modelo Cássia Ávila. Durante essa viagem para a Europa, ainda encontrou Reinaldo Lourenço em Paris, na época mais conhecido como o marido da Glória Coelho. "A moda estava começando a se organizar no Brasil e dava os primeiros passos com o Morumbi Fashion. O Alexandre Herchcovitch era incrível." Como Fiod sempre viajou muito, as revistas internacionais continuavam caindo na mão.Aos 24 anos, ele tinha no currículo duas faculdades, a de Comunicação, feita na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), e a de Administração, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP); além de uma pós-graduação em Publicidade na ESPM. "Eu sempre fiz um monte de coisas ao mesmo tempo." E, nesse ritmo de quem quer abraçar o mundo, ampliou o campo de atuação. Passou também a criar campanhas publicitárias e a cuidar da imagem de clientes em geral. Até que em 2001 montou a Mint, primeira agência de moda, aberta numa casa da Bela Vista, região central. Hoje, entre os clientes estão as marcas Animale, Puc, Priscilla Darolt e a cantora Wanessa Camargo, que ganhou ar mais requintado. Durante essa semana, quando desfilavam dois clientes, Animale e Priscilla Darolt, Fiod ficou praticamente 24 horas no ar. Um dia antes da apresentação da coleção na Bienal, no Parque do Ibirapuera, onde ocorre a SPFW, as provas de roupas têm como endereço sua agência, geralmente depois que encerram os desfiles, isso lá pelas 23 horas. Para essa prova, ele precisa das modelos, muitas das quais desfilam no evento e só podem chegar nesse horário. Cada uma experimenta cerca de cinco roupas diferentes. "Todos os looks são fotografados e, então, eu analiso para decidir quem veste o que no dia e quais as peças que de fato devem entrar na passarela." São descartados modelos parecidos, que tragam a mesma informação ao espectador ou não estejam muito bem resolvidos. "Há roupas que são produzidas e o corte não ficou assim tão bom." No dia seguinte, Fiod chega ao menos três horas antes do desfile para organizar o backstage. Perfeccionista, prega as fotos tiradas no dia anterior num isopor na ordem exata da fila de entrada das modelos. Com o quadro na frente, chama o DJ e pede para ouvir a trilha sonora do desfile. Confere os minutos e se o tipo de música se adapta mesmo. Sempre tem de fazer uns ajustes. "Ele é muito mais do que um stylist. Luís é um parceiro", diz Priscilla Darolt. E mesmo com tanto preparo há sempre imprevistos. "Encomendei os sapatos do desfile da Animale meses antes da SPFW e ontem (três dias antes do desfile) a fábrica avisou que só produziu pares nos tamanhos 39 e 40. Agora tenho de correr para alguém fabricar calços para as modelos com pés menores."E isso não se dá só nos desfiles. "Teve um editorial em que resolvi produzir as fotos num balão. A equipe toda foi para o interior e, chegando lá, não parou de chover um minuto", conta Fiod. "Voltei para São Paulo e fui direto para o estúdio do Bob Wolfenson, sem avisar. Enchi o balão lá, que tomou o estúdio inteiro. Então fizemos a foto dentro do balão. Ficou incrível. É assim, no final, sempre dá certo. Entendeu?"

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