Um pouco de Woodstock no Fórum Social

Ao contrário do ano passado, em que foi cerimoniosa e discursiva, a abertura deste segundo Fórum Social Mundial adotou um gênero mais francamente Woodstock: shows a céu aberto, pessoas de cabelos compridos e batas coloridas, as infalíveis camisetas de Che Guevara, um jingle feito especialmente para a ocasião, "Um outro mundo é possível".Globalização, nas faixas, é a explicação de todos os males do planeta: pobreza, racismo, machismo, militarismo, violência, etc. Sentados na grama ou de pé agitando bandeiras e distribuindo panfletos, os presentes não queriam saber da retórica partidária "light": socialismo é uma palavra usual nas roupas e nas conversas. Mas não faltaram discursos, do prefeito Tarso Genro, de membros do comitê organizador e, por fim, do governador Olívio Dutra. De bombacha, Dutra foi o mais aplaudido e leu um discurso forte, que falava, como a platéia, sobre todos os assuntos. Dutra citou a Argentina, atribuindo sua crise econômica ao"receituário neoliberal". Fez elogios à Teologia da Libertação. Disse que o terrorismo é produto da "lógica do sistema imperial". E disse que a globalização promove a desumanização e esta leva à violência - lembrando em seguida os assassinatos dos prefeitos petistas de Campinase Santo André. Encerrou com a frase: "Bem-vindos e boa luta." Em seguida, meninos de rua fizeram uma apresentação. Era rap, um ritmo exportado dos EUA para o mundo.A noite teve ainda telão com imagens de grupos manifestantes em Nova York, contrários ao Fórum Econômico Mundial, e mensagem de EduardoGaleano, o autor de As Veias Abertas da América Latina. Novamente, o clima retrô começou a dar o tom do fórum.

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