Um QG de apoio a menos de 5 km do Congresso

Senador do próprio DF, Adelmir Santana agora concorre a deputado federal e conta com 29 funcionários lotados em seu escritório político

Ana Paula Scinocca/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

A menos cinco quilômetros do Congresso, o senador Adelmir Santana, do DEM do Distrito Federal, abriga uma tropa de 29 servidores pagos com dinheiro do contribuinte para ajudá-lo em atividades parlamentares em sua base política - no caso, o próprio DF.

Candidato a deputado federal, Adelmir, que dispõe de um amplo gabinete no Senado, onde de fato se desenrola o grosso da atividade parlamentar, preferiu abrigar seus funcionários em um conjunto de salas na Asa Norte.

Mesmo com dois gabinetes a curta distância um do outro para trabalhar, os servidores de Adelmir "sumiram".

Na tarde de quarta-feira, os 29 funcionários do senador não deram expediente no local. A reportagem do Estado esteve no escritório de apoio pouco depois das 15 horas, horário em que apenas quatro pessoas despachavam na sala comercial localizada na Asa Norte. "As pessoas não ficam aqui. Todo mundo trabalha na rua. Eles (os funcionários) só aparecem aqui quando tem uma reunião de campanha ou algo marcado", afirmou uma atendente que preferiu se identificar apenas como "Maria".

De acordo com dados oficiais do Senado, Adelmir deveria ter 12 funcionários trabalhando em seu gabinete no Senado e outros 29 no escritório político. Nenhum deles, porém, é autorizado a fazer campanha. Para isso, teriam de ser exonerados.

"Falta de recursos". Filha de Adelmir e coordenadora da campanha do senador à Câmara dos Deputados, Cynthia Bruneto disse ontem que ninguém ainda foi contratado para a campanha por falta de recursos. Segundo ela, apenas voluntários e familiares têm ajudado o senador. Ela assegurou que nenhum dos funcionários lotados no escritório político ou no gabinete têm autorização para fazer campanha.

"O fato de eles não estarem no escritório não significa que estão fazendo campanha", argumentou. "Ninguém tem autorização para trabalhar na campanha."

Cynthia admitiu que alguns dos funcionários do senador ajudam de forma voluntária. "Mas só fora do horário de expediente, geralmente de fim de semana", ressaltou.

A inauguração oficial do comitê de campanha de Adelmir estava prevista para ontem. Mas foi adiada para a semana que vem. "A campanha está bem modesta. Tudo muito caseiro", disse. Ela anotou que as recentes denúncias envolvendo o ex-governador José Roberto Arruda (sem partido) - no conhecido escândalo do "mensalão do DEM" - afastaram os empresários das doações de campanha no Distrito Federal.

"A Caixa de Pandora (nome da operação da Polícia Federal que desmontou o esquema) assustou", ressaltou. "Essa campanha está sendo diferente. Muito de casa em casa, de porta em porta."

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