Um quinto dos brasileiros consome álcool em excesso

Quase um quinto da população brasileira bebe em excesso. A pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) mostra que o consumo abusivo foi de 19%, um porcentual maior do que havia sido registrado na primeira versão do estudo, feita em 2006. Naquele ano, 16,1% da população consumia bebidas alcoólicas de maneira abusiva. A tendência de aumento é constatada principalmente entre mulheres de maior escolaridade. Entenda os efeitos do álcool no organismo e os limites definidos pela lei"É um número preocupante", afirma a coordenadora da área de Doenças e Agravo Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Deborah Malta. A pesquisa, feita ao longo de 2008 com 54,3 mil pessoas, não analisa as causas desse aumento. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, no entanto, arrisca uma interpretação para o fato de o risco aumentar principalmente entre as mulheres. "O fenômeno é resultado de uma série de quesitos, como independência e maior participação no mercado de trabalho."Apesar do aumento do abuso de bebida entre mulheres nos últimos anos, o porcentual de homens com mesmo comportamento é ainda três vezes maior. Nesta edição do Vigitel, 29% disseram ter bebido no último mês mais de cinco doses em uma única oportunidade. Entre mulheres, esse porcentual foi de 10,5%. "No grupo feminino há uma diferença: consideramos beber em excesso quatro doses em uma única oportunidade", conta Deborah.JOVENSAssim como ocorre na associação entre álcool e direção, os jovens são os que têm maior risco de consumir de forma excessiva a bebida. Entre homens de 18 a 24 anos, 29,1% afirmaram ter esse tipo de comportamento. Entre 25 e 34 anos, esse porcentual salta para 35,9%.Nas faixas etárias mais altas, o índice vai caindo. No grupo feminino, o risco ocorre mais precocemente: 14,3% das mulheres entre 18 e 24 anos bebem em excesso. Esse porcentual cai um pouco (12,2%) na faixa etária seguinte, de 25 a 34 anos. A partir daí, os indicadores caem até chegar a 1,6% (mulheres com 65 anos ou mais).

Lígia Formenti, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

08 de abril de 2009 | 00h00

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