Um século de estatísticas mostra como São Paulo cresce

Em um século de estatísticas, a população de São Paulo cresceu mais de 43 vezes. Em 1904, a cidade que há quase meio século é a maior do País ainda era apenas a nona capital estadual mais populosa. É o que mostra o estudo São Paulo Outrora e Agora - Informações sobre a População da Capital Paulista, do século 19 ao 21, divulgado hoje pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).A coletânea de números foi a forma encontrada pelo órgão para homenagear a capital paulista nos 450 anos. ?Com as estatísticas, o povo se conhece melhor. É um instrumento de cidadania?, considera a diretora-executiva da Seade, Felícia Reicher Madeira. Os paulistanos podem cobrar com mais ênfase, por exemplo, o crescimento das periferias carentes de infra-estrutura, em detrimento das áreas centrais mais bem equipadas.Crescimento passa de mais de 5% para menos de 1%São Paulo não registra mais as taxas de crescimento anual superiores a 5%, como nos anos 40 e 50. Hoje, o índice é inferior a 1%, com 54 dos 96 distritos apresentando redução de população. Entretanto, as áreas que mais aumentam o número de habitantes registram indicadores sociais, como o Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ) criado em 2002 pela Seade, com níveis mais alarmantes.Guardadas as proporções, é um pouco do que ocorreu com a cidade do século 19, cujo status de capital do Estado era contestado por Campinas, o centro da economia cafeeira da época. ?Era uma cidade relativamente pequena, menor não só do que Rio, Salvador e Recife, as principais capitais da época, mas também menor do que São Luís, Belém e Cuiabá?, conta Antonio Benedito Marangone, um dos técnicos que participou do estudo da Seade.É difícil imaginar isso hoje, em meio aos 10,6 milhões de paulistanos estimados em 2004. Foi a chegada dos imigrantes, explica Marangone, que fez São Paulo crescer de maneira jamais vista no País. De 1890 a 1900, a taxa anual de crescimento chegou a 14%. ?Só depois dos anos 70 o crescimento vegetativo superou a imigração.?Nesse caminho, diversos aspectos culturais e sociais se revelam nos números da Seade. Os casamentos civis, que no início do século quase sempre envolviam pelo menos um estrangeiro, começaram a cair a partir dos anos 80, com a maior aceitação social de novas formas de união. Na São Paulo de 350 anos, em 1904, os homens casavam em média com 25,9 anos e as mulheres, com 19,9. Hoje, eles têm cerca de 29,9 anos e elas, 26,9.Mudanças nas condições de vida e nas causas de morteTambém mudaram as condições de vida e as causas de morte. Naquela época, a maioria dos óbitos tinham como motivação doenças diarréicas, conseqüência da precariedade do saneamento básico. Com o passar dos anos, as doenças cárdio-vasculares passaram ao topo da lista. E na década de 80, as causas externas, como homicídios e acidentes, também passaram a ter destaque.Pelo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), principal fonte de dados do estudo da Seade, em 2000 morreram 68.091 pessoas. Por sua vez, nasceram 207.462. Isso resulta no cerca de 1% de crescimento vegetativo anual que corresponde praticamente a toda a população de 1900. Para os novos paulistanos, nascidos às vésperas dos 450 anos de São Paulo, o bom uso das estatísticas pode ser o começo para viverem numa cidade melhor, quando ela chegar ao 5.º Centenário.

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