Um zagueiro na defesa de mais verba

O papel exercido por Alexandre Padilha na discussão da regulamentação da Emenda 29 está muito mais para "zagueiro" do Planalto que para ministro da Saúde. Ao contrário de antecessores, o ministro não assumiu a liderança no debate que afeta diretamente a pasta que comanda.

Eduardo Bresciani e Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2011 | 00h00

Ele prefere o discurso alinhado com governo e com PT: reclama a necessidade da criação de regras estáveis para financiamento da saúde, diz ser preciso aumentar os valores, mas esquiva-se até mesmo de falar quanto seria preciso.

No domingo, durante o 4.° Congresso do PT, ele garantiu que o governo já sabe quanto precisa para a área, mas afirmou não ser o momento de entrar nesse debate: "Vocês acham que vou falar isso na semana do Sete de Setembro? Vamos com calma", disse aos jornalistas.

Questionado anteontem se seria favorável à criação de um imposto específico para saúde, ele não esboçou reação. Apenas silenciou. Os sinais mais claros de simpatia foram a sugestão de elevar os tributos de cigarros e bebidas, além de um aumento da fatia do seguro obrigatório dos automóveis (DPVAT) para a saúde.

Essa defesa, porém, é sutil. Ele faz questão de ressaltar que a decisão está nas mãos de parlamentares e o quanto é importante a atuação dos governadores. Como demonstrou com o silêncio de anteontem, Padilha quer manter distância de qualquer associação com a defesa da criação de um imposto.

E, fazendo coro à presidente Dilma Rousseff, sustentou que o importante é que a nova fonte de recursos seja vinculada, sem riscos de ser desviada. Na semana passada, Dilma afirmou que a antipatia em torno da CPMF era provocada pelo fato de os recursos não serem totalmente destinados para a saúde, como previsto.

Em vez concentrar o discurso no aumento de recursos, Padilha prefere ampliar a discussão, por exemplo, em torno da responsabilidade sanitária, lei que, segundo ele, seria uma ferramenta importante para garantir o uso adequado dos recursos em saúde.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.