Uma campanha porta a porta

Sem comício nem passeata, candidata do PV visitou um simpatizante na periferia de São Paulo e lançou ali mesmo o movimento Casa de Marina

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2010 | 00h00

A candidata do PV à Presidência da Republica, senadora Marina Silva, deu a largada na campanha oficial sem comício nem passeata. No meio da tarde visitou a casa de um simpatizante de sua candidatura, um jovem promotor de vendas, morador da periferia de São Paulo e lançou ali o movimento denominado Casa de Marina ? iniciativa destinada a multiplicar por todo o País comitês familiares de apoio à sua candidatura.

Ao explicar a opção por ato tão modesto, a candidata deu duas razões. A primeira seria o fato de estar convencida de que o maior capital de uma campanha é a crença dos eleitores no projeto do candidato, a ponto de tomarem iniciativas para defendê-lo, voluntariamente. "Esse é um capital intangível", disse aos jornalistas. "As casas são criadas por iniciativa das próprias famílias."

A segunda razão estaria ligada à sua proposta de governo. Ela disse que vai incentivar o envolvimento das pessoas com os rumos do País. "Quero um Estado mobilizador e não apenas provedor", afirmou, numa indireta às propostas da candidata do PT, Dilma Rousseff, que baseia a campanha na manutenção e ampliação dos programas sociais do presidente Lula.

A primeira Casa de Marina, oficializada ontem pela candidata, sempre ao lado de seu vice, o empresário Guilherme Leal, fica na Rua Maria de Lourdes Salomão, no Jardim Catanduva, região de Campo Limpo, zona sul da capital paulista. Rua tortuosas, de casas modestíssimas, calçadas estreitas, pequenos sobrados, espremidos uns contra os outros.

Num deles mora o promotor de vendas Adriano Prado Silva, 27 anos, ex-petista que resolveu aderir ao PV por causa de Marina. Foi escolhido pelo comitê de campanha por causa de seu envolvimento com o movimento de apoio à candidatura da senadora. Ele dialoga e promove Marina pela internet, participa de reuniões de apoiadores, vai ao comitê.

Até as 9h30 ele não sabia que a candidata iria visitá-lo. Quando recebeu o telefonema, ligou para o trabalho, avisou que seria impossível trabalhar e foi direto para casa, mobilizar a família. "Eu queria conhecer Marina havia muito tempo, tirar uma foto a seu lado, mas nunca imaginei que ela viria à minha casa", disse. "Eu adorei."

Adriano é solteiro e mora no sobrado com a mãe, o avô, um irmão, um primo e a mulher dele e um sobrinho pequeno. "São seis votos para Marina", garantiu o avô, Manoel Prado, de 84 anos.

O compromisso de Marina foi decidido às pressas, pela manhã. Já estava previsto que a primeira Casa de Marina seria inaugurada hoje, mas o local escolhido era o Rio, com Fernando Gabeira, o candidato verde com melhores chances de conquistar um governo estadual e maior cacife para impulsionar a candidatura da senadora à Presidência.

Em decorrência dos debates sobre o novo Código Florestal, porém, Gabeira achou melhor ficar em Brasília.

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