Uma epopéia: Clotilde, a girafa, vai se mudar

Seu nome é Clotilde. Ela já é uma senhora, tem um filho de menos de 1 ano e vai mudar-se de São Paulo para Americana, no interior. Viajará de caminhão. Como Clotilde tem 4,3 metros de altura, o impacto de sua andança será grande. O transporte, que ainda não tem data definida, vai mobilizar, além de biólogos, veterinários e tratadores do Zoológico de São Paulo, técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da Autoban - administradora do sistema Anhagüera-Bandeirantes. Clotilde nasceu há 22 anos no Zoológico de São Paulo e convive atualmente com outras cinco girafas. Ela já está com idade avançada - a média de vida de animais da espécie é de 28 anos. Como diz a bióloga Kátia Cassaro, chefe do Departamento de Mamíferos do Zôo, as girafas "são muito aparentadas entre si" e era preciso quebrar esse vínculo genético. "A troca de animais também é uma prática comum entre zôos do Brasil e do mundo", afirmou. O fato de o Parque Ecológico de Americana não possuir nenhuma girafa e o de São Paulo ter seis foi outro motivo da partida de Clotilde e de seu filhote, de 11 meses e 2 metros de altura, que ainda não tem nome. "Deve ser escolhido pelo Zôo de Americana num concurso", contou a bióloga. Clotilde e seu filhote vão ser transportados num contêiner de 2,5 metros de altura. Em cima dele foi montada uma estrutura de madeira que alcança os 4,5 metros. As girafas vão viajar acordadas. "Nós só damos medicamentos em último caso." Mãe e filho vão ser transportados separados por uma porta. "É para evitarmos o risco de a Clotilde machucar o filhote." O pior momento será o início da viagem. O estresse pode levar as girafas à morte. "O mais difícil será o momento em que o guindaste puser o contêiner no caminhão e a parte inicial da viagem", prevê Kátia. "O restante deve ser tranqüilo." O motorista - que é do Parque Ecológico de Americana - terá de ter paciência. "Ele não poderá frear nem fazer curvas muito bruscas." A velocidade média, de 30 a 50 quilômetros por hora, deve ser contínua. A bióloga vai acompanhar o trajeto com um veterinário e um tratador experiente. Túneis A viagem começará às 23 horas, a pedido da CET. O percurso de 133 quilômetros deve levar oito horas. Os técnicos da CET vão escoltar as girafas até a saída da cidade. "Depois, o pessoal da Autoban vai nos acompanhar até Americana." O percurso terá de evitar túneis, passarelas e fios elétricos, porque girafas não sabem a hora de abaixar a cabeça. A data da partida ainda não foi marcada, mas a previsão é de que ela ocorra até a primeira quinzena de setembro. "Pode ser antes ou depois. Vai depender dos animais, de quando eles estiverem prontos." Quem for ao zôo poderá ver o contêiner colocado próximo das girafas. "No início, elas ficaram assustadas. Hoje, já comem lá dentro." Kátia, que trabalha há quase 17 anos no zôo de São Paulo, assume a tristeza de ver Clotilde ir embora. "O dia que não der mais tristeza é porque chegou a hora de a gente ir embora também."

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