Uma figura das antigas que faz a diferença

Moustapha Sidani está há 30 anos recebendo clientes do Jaber

O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

Há 30 anos ele fica ali. Sorridente, cumprimenta quem passa na porta. E, assim, quem nunca o viu acaba fazendo amizade. Os clientes não escapam. Mesmo quem não pretende almoçar na casa, quando vê, já está sentando, comendo no mínimo um quibe e batendo um papinho. Para quem nunca passou na frente do restaurante Jaber, no Paraíso, este é Moustapha Haidar Sidani, de 83 anos, uma das figuras mais conhecidas da região.E figura à moda antiga. Trabalha sempre de terno, independentemente da temperatura. Para os patrícios do bairro é o Habib (querido). Para os outros vizinhos, Maurício - às vezes, tio Maurício.''''Quando eu cheguei, o bonde passava na rua aqui de frente '''', conta Sidani. ''''A Rua Domingos de Moraes tinha mais casas. Muitas foram derrubadas. As avenidas ficaram mais largas. E, quando veio o metrô (em 1974), tudo mudou. Até então existia o Largo Guanabara, que ligava as duas igrejas, a Catedral Ortodoxa e a Igreja Santa Generosa, que era bem maior que a atual.'''' Só o que não mudou no Paraíso foi Sidani. É bem verdade que seus cabelos ficaram mais grisalhos, mas ele mantém a disposição.''''Ele se aposentou, mas quis continuar trabalhando'''', diz Mauro Jaber, filho de Jamil Jaber, fundador do restaurante que abriu as portas em 1952 na Rua Vergueiro e, em 1969, mudou para o atual endereço, na Rua Domingos de Morais. ''''Quando ele falta, as pessoas entram só para perguntar onde está o Habib, se aconteceu alguma coisa com ele.''''Sidani veio de Beirute, no Líbano, com 23 anos, na mesma época que o amigo Jamil Jaber. Mas não teve tanta sorte nos negócios como ele, que se fixou em São Paulo. Sidani tentou a sorte primeiro em Brasília, onde montou uma casa de iguarias árabes. Vítima de dois incêndios, ele perdeu tudo, voltou para São Paulo e foi trabalhar no Jaber. Está há tanto tempo lá que se transformou na cara do negócio. As pessoas pensam até que ele é o dono.''''Habib sempre tem algo carinhoso para falar para todo mundo'''', diz Silvia Raquel, de 57 anos, uma das clientes da casa. ''''É um conforto saber que isto não muda.''''

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