Uma guerra de travesseiros levada a sério

?Lutadores? se encontram amanhã, às 17 horas, no Ibirapuera, em São Paulo

Lívia Deodato, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

03 de abril de 2009 | 00h00

São aceitáveis tanto travesseiros macios - como aquele que conforta o seu merecido descanso desde a infância - quanto novinhos, recém-adquiridos, preferencialmente feitos com penas artificiais. O dia e o local da batalha já estão marcados e, dessa vez, não será no seu quarto, na sala da sua casa ou apenas na memória da sua infância. A Pillow Fight Brasil (ou Guerra de Travesseiro, ao ar livre e com pessoas desconhecidas) será realizada amanhã, às 17 horas, na frente do Obelisco do Ibirapuera, zona sul de São Paulo. Antes, está programado um piquenique, às 14h30, na frente da Aranha do MAM.O evento, que poderia ser enquadrado como um flash mob - reunião instantânea de uma pequena multidão em local público para realizar ações inusitadas -, tem caráter mundial e vai ocorrer em diversos locais. Segundo pesquisas realizadas pelo organizador, o estudante Caio Komatsu, de 19 anos, a Pillow Fight teve a sua primeira edição em Nova York, em 2006. "A própria organização internacional não chama o evento de flash mob, mas em relação aos objetivos nada mais é do que aproveitar melhor o espaço urbano. E de forma divertida", afirma.Tudo começou quando Komatsu assistiu a uns vídeos de mobilizações instantâneas pelo YouTube, em 2008. "Gostei bastante da ideia, comentei com outras pessoas da comunidade Flash Mob no Orkut e resolvi começar a organizar em São Paulo." Então, ele produziu um flyer, que alimentou o site http://saopaulo.pillowfight.com.br. A Pillow Fight brasileira já reúne cerca de 500 interessados em São Paulo. Há ainda tantos outros, não contabilizados, de 16 cidades animados com a iniciativa, nascida no Jardim São Savério, zona sul, bairro onde mora o vestibulando de Engenharia Mecatrônica.SIGA AS REGRASA batalha de travesseiros que já fez voar muitas penas pelo mundo tem regras claras, elaboradas em Lisboa. Ser discreto, o que significa levar o seu travesseiro dentro de um saco grande, de preferência de lixo, e não lutar com quem não esteja devidamente "armado" são duas das normas mais importantes. Caso alguma almofada ou travesseiro não sobreviva, uma solenidade está prevista para ocorrer assim que terminar o embate. A peça será recolhida para que seja doado a uma ONG para reciclagem, conforme descrito no artigo 9 das leis da Pillow Fight brasileira. Quaisquer manifestações políticas são vetadas. Tanto que uma provocação iniciada no site, postada por Paulo Reiss Fernandes, que diz que "a brincadeira vai ser muito divertida, mas, em vez de organizar futilidades como essa, deviam usar essa capacidade de mobilização para assuntos relevantes a todos", foi encerrada por Caio de forma simples e direta: "Existem flash mobs voltados a essas questões, porém neste não são permitidas manifestações políticas e ideológicas..."

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