Uma lenda do jazz toca na periferia de São Paulo

Guitarrista se apresenta em festival de música de Capão Redondo

Bruno Paes Manso, O Estadao de S.Paulo

02 de dezembro de 2007 | 00h00

Ele começou tocando guitarra nas ruas de Nova York e tornou-se um dos nomes mais importantes do jazz atual. No próximo domingo, dia 9, o guitarrista americano Stanley Jordan se apresentará no 4º Festival de Música Beneficente do Jardim Jangadeiro, na pracinha do bairro do Capão Redondo, zona sul de São Paulo.Hoje, o californiano Michael Franti, músico, poeta e ativista político, que lançou em 2005 um documentário com shows que fez por Iraque, Israel e Palestina, toca às 17 horas no campinho de futebol do Morro do Piolho, também no Capão.Se nas décadas de 80 e 90 os moradores da zona sul tinham de percorrer longas distâncias para chegar aos bairros centrais para curtir os bailes black e domingueiras, atualmente "as baladas da quebrada estão bombando". "O Stanley Jordan queria tocar na periferia de São Paulo. A Secretaria Municipal da Cultura fez a ponte e o pessoal do Capão vai poder ver o Stanley Jordan de graça", diz o produtor Ivo José dos Santos, o Negro Rauls, organizador do evento.Para assistir ao show do guitarrista, que tocará com uma banda formada por músicos brasileiros, basta levar um quilo de alimento. Fubá e sal estão proibidos. "Houve a fase dos assassinatos, quando o bambu gemia e não havia clima para essas festas. Agora temos na zona sul eventos já consagrados, como o Samba da Vela, o Samba da Laje, os saraus de poesia da Coperifa, os shows organizados pelo grupo Negredo, só para citar alguns", diz Robson Rodrigues Brito, de 35 anos, que ajuda no evento e toda a semana organiza a Liga do Vinil, quando DJs se encontram para tocar discos antigos. Outra novidade nessa cena são as permanentes parcerias entre os "manos" e os "playboys", que se juntam para permitir que os projetos saiam do papel. Para a vinda de Stanley Jordan, Negro Rauls contou com o apoio de Carlos Eduardo Macedo, da DMP, que preparou o edital de concorrência para que o evento pudesse contar com patrocínio da Petrobrás. Vieram R$ 60 mil. "Eu já conhecia o Rappin Hood (rapper paulistano), que depois me apresentou o Negro Rauls. Ele me falou do evento e coincidiu com a concorrência, que acabou rolando. Para ajudar, Jordan dispensou o cachê."O empresário Sérgio Morisson, da Social Moda, diretor de Responsabilidade Social do Comitê de Jovens Empreendedores da Federação das Indústrias de São Paulo, colaborou com R$ 4 mil para o evento, dinheiro arrecadado com VIPs em baladas eletrônicas organizadas pela empresa dele. Morisson começou a se interessar por projetos sociais há seis anos, depois de ser vítima de um seqüestro relâmpago. "Não conhecia nada da periferia. Hoje aprendo muito com os líderes de lá."Negro Rauls concorda que o diálogo com os "boys" está aumentando: "A molecada hoje até ?manera? nas gírias. Eles sabem que é preciso ser entendido por todo mundo."

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