Uma vida de criança em jogo

Carta 19.210 O Hospital do Servidor Público não tem refil de insulina, nem tiras e lancetas para portadores de diabete. Minha filha de 4 anos é diabética desde setembro do ano passado e tem de fazer medições diárias, por ter hipoglicemia com freqüência. Por economia, não fiz algumas medições e, em conseqüência, ela sofreu parada cardiorespiratória em julho. Depois disso passo as madrugadas acordada com medo que o fato se repita. Na UBS da Chácara Santo Antônio, onde eu retirava os insumos, há comunicado da Supervisão de Saúde Santo Amaro de que as unidades pólo não receberam insumos; a Divisão de Suprimentos da secretaria informa que as compras estão paralisadas, porque aguardam suplementação de verba. Gostaria de saber se a saúde de minha filha vai ter de esperar pela tal suplementação. ELIETE DANTAS STEFANI Santo Amaro A SM da Saúde responde: "A Coord. Reg. Saúde Sul, responsável pela UBS, informa que o estoque de tiras, lancetas e insulina está em dia. Os insumos podem ser retirados gratuitamente no local, mediante receita médica. No caso da leitora, localizamos nos arquivos da UBS retiradas desses produtos nos dias 23/7, 28/8 e 11/10. A entrega é feita uma vez por mês para suprir 30 dias. O registro indica que quem fez as retiradas foi o marido da leitora, Roberto Stefani. Segundo a gerência da unidade, houve um breve período de falta de material em setembro, que já foi regularizado. A Coordenadoria contatou d. Eliete, para verificar o problema e tomar medidas com o intuito de regularizar definitivamente a situação." Carta 19.211 Falta de remédios Em 18/9 levei minha filha de 14 meses ao Hospital Geral de Diadema, devido a uma gripe com febre alta. O médico receitou alguns remédios, e como não tenho recursos fui a UBS Cidade Vargas, cuja atendente recusou-se a fornecê-los por não constar na receita a assinatura do médico nem o nome equivalente em genéricos. Não tendo como voltar ao hospital, tive de comprar os remédios, com sacrifício. Enviei um e-mail à Ouvidoria, mas não tive resposta. CLEIDE SALES Capital A SM da Saúde responde: "A Coord. de Saúde Sudeste, responsável pela UBS Cidade Vargas, apurará os fatos e tomará providências, para garantir melhor atendimento à população. Maus tratos e grosserias são inadmissíveis nesta gestão, que tem entre suas prioridades um acolhimento atencioso e eficaz. Para retirar medicamentos a receita tem de ter carimbo com a assinatura do médico responsável, além dos princípios ativos dos remédios, não os seus nomes comerciais, isso porque são esses princípios que discriminam o nome dos medicamentos distribuídos pela rede municipal. Orientamos os profissionais que trabalham na rede a prescrever assim os medicamentos, dos quais há uma lista de 174 disponíveis. A prescrição pelo princípio ativo permite ao cliente escolher o menor preço, se for comprá-lo na rede privada. Pedimos desculpas a d. Cleide pelo transtorno, à disposição de quem os serviços da rede municipal continuam. Para maiores informações, basta acessar o site www.prefeitura.sp.gov.br, ou ligar no tel. 156." Carta 19.212 Informação preciosa Sou aposentado e portador de Transtorno de Personalidade Borderline e Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), com tratamento no Centro de Atenção Psicossocial de São Mateus. Os sintomas das doenças são controlados por medicamentos e terapia. E o que me motiva a escrever para a coluna é contar que as pessoas que têm transtorno mental não são amparadas pela Lei por causa da expressão, usada no Direito, ?alienação mental?, que impede quem tem transtornos mentais de conseguir um emprego. A expressão não é reconhecida como doença pelo INSS e o portador de transtornos mentais não consegue nem a aposentadoria, ficando à margem da Lei. Já existe na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei n.º 6.013/2001, do deputado Jutahy Junior (PSDB/BA), que conceitua ?transtorno mental? como enfermidade psíquica em geral, substituindo a expressão ?alienação mental?. e quaisquer outras designações. O projeto está na Comissão de Seguridade e Família (CSSF) desde o dia 14/2, e o relator é o deputado João Bittar (PFL/MG). Peço que divulguem esta minha mensagem, já que, de acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira de Psiquiatria, 17 milhões de pessoas (ou seja, 9 % da população brasileira) sofrem de algum transtorno mental, e precisam da ajuda do Poder Público. MARCELO ANTÔNIO PACHECO Conjunto Teotônio Vilela

O Estadao de S.Paulo

28 Outubro 2007 | 00h00

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