Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

UNE vai alugar andares da nova sede, um prédio de R$ 30 milhões

Com indenização federal, entidade começa a erguer edifício de 12 andares com vista para [br]a Baía de Guanabara

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2011 | 00h00

Quem, há um mês, passasse em frente ao número 132 da Praia do Flamengo e visse o imenso painel erguido pela União Nacional dos Estudantes (UNE) com a inscrição "Obama, go home", em protesto contra a visita do presidente americano, dificilmente imaginaria que, até o fim de 2013, naquele terreno vazio estará de pé um lucrativo empreendimento de 12 andares que custará entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões. Mais: que a dona do imóvel será a própria UNE, de volta ao histórico endereço depois de quase 50 anos de afastamento.

Nos últimos quatro meses, a construção entrou na pauta de discussões da diretoria, somando-se à organização do próximo congresso, à avaliação do Plano Nacional de Educação e às reivindicações por mais recursos para o ensino. Em inédita fase empreendedora, os universitários aguardam a conclusão do detalhamento técnico, feito pelo escritório de João Niemeyer com base no projeto doado por Oscar Niemeyer. Escolherão, então, a construtora para iniciar a obra.

Por mais que o presidente da UNE, Augusto Chagas, resista em falar de um possível uso comercial do prédio, é certo que muitos andares serão alugados e ajudarão a reforçar o caixa da instituição. Especialistas em construção e mercado imobiliário calculam que cada andar, que terá entre 300 e 400 metros quadrados, não renderá menos de R$ 25 mil mensais de aluguel. Se ocupar dois andares, a UNE obterá no mínimo R$ 3 milhões anuais só com o aluguel dos outros dez pavimentos.

Se não fosse para uso comercial, não haveria motivo para a construção de um prédio tão grande - a altura máxima permitida pela prefeitura -, com mais três andares de garagem no subsolo, com espaço para 120 vagas.

Rendimento. Todo esse investimento é possível por conta da indenização paga pelo governo federal à UNE, no fim do ano passado, pela destruição da antiga sede, logo depois do golpe militar. Incendiada em 1964, a sede ficou desativada até 1980, quando o que restava do casarão foi demolido.

Os estudantes receberam R$ 30 milhões, depositados em uma conta do Banco do Brasil e aplicados em CDB. "É uma aplicação segura e com rendimento", diz Augusto. A União ainda deve R$ 14,6 milhões. Em reunião com os estudantes no mês passado, a presidente Dilma Rousseff prometeu empenho para a rápida liberação dos recursos.

Em vez dos dividendos que o prédio renderá à UNE, Augusto prefere falar do Museu da Memória do Movimento Estudantil, do centro cultural e do teatro com 200 lugares, que serão construídos no fundo do terreno. Entre o complexo cultural e o edifício comercial, haverá uma área aberta, de trânsito comum para os frequentadores dos dois espaços.

Ponto. "Uma coisa foi a UNE ganhar o prédio no papel. Oscar fez o projeto há muitos anos, sem saber se um dia sairia. De repente, virou verdade. A área é perto do Aeroporto Santos Dumont, do metrô, do centro. O ponto é espetacular", diz João Niemeyer, sobrinho de Oscar.

"A UNE vai dar um passo depois do outro", diz Augusto. "O escritório do Niemeyer tem nos ajudado muito e não vamos especular sobre valores enquanto o projeto final não estiver pronto. Nosso desejo é devolver ao Rio um espaço cultural ligado à identidade nacional. Quando estiver mais maduro, próximo da inauguração, vamos pensar no uso do prédio", despista.

Segundo o dirigente, as decisões sobre o empreendimento serão tomadas em conjunto pela diretoria plena, formada por 87 estudantes. "Legalmente, o presidente e o tesoureiro poderiam decidir, mas optamos por uma discussão conjunta", diz Augusto, que segue a tradição de presidentes filiados ao PC do B.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.