Unesco vai preservar arquivos da ditadura

A Unesco aprovou a transformação de arquivos da repressão política brasileira em Memória do Mundo. O projeto apresentado pelo Brasil, sob o título Rede de informações e Contrainformação do Regime Militar no Brasil (1964-1985), foi aprovado pelo Comitê Consultivo Internacional do Programa Memória do Mundo (MoW - Memory of the World), em reunião em Manchester, no Reino Unido. O material, porém, inclui documentação de outras épocas, recuando, em alguns casos, a 1920, ou avançando até 1991, porque algumas agências repressivas "herdaram" fichas de outras, extintas.

Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2011 | 00h00

"Essa inclusão significa uma obrigação de preservar, divulgar e dar acesso aos documentos", disse a socióloga Sílvia de Moura, funcionária do Arquivo Nacional que participou da equipe que preparou o projeto.

Ela explicou que a aceitação da Unesco dá, por exemplo, mais peso a eventuais pedidos de auxílio para os arquivos. Segundo o Arquivo Nacional, a vitória da candidatura brasileira assegura "visibilidade mundial" aos documentos, ajudando na sua preservação. "Alguns países da América Latina já tinham recebido essa classificação, mas seus acervos são muito pequenos em relação ao do Brasil."

O projeto aprovado incorpora material de órgãos centrais do Sistema Nacional de Informações (Sisni, que era coordenado pelo Serviço Nacional de Informações durante a ditadura). Também inclui documentos de órgãos de informação de Estados da Federação guardados em arquivos estaduais ou por outras entidades parceiras do projeto Memórias Reveladas - Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil (1964-1985), criado em 2009.

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