União aumenta lista de protegidos no campo

Governo reavaliou condições de risco de 165 pessoas ameaçadas de morte em áreas de conflito agrário

Lígia Formenti / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2011 | 00h00

A lista de pessoas que poderão receber proteção policial foi ampliada ontem pelo governo federal de 30 para 165 nomes. Moradoras de Estados considerados prioritários - Mato Grosso, Pará, Rondônia e Amazonas -, todas terão suas condições de risco avaliadas e, a partir daí, duas estratégias poderão ser definidas: a escolta policial ou afastamento temporário da cidade.

"A força-tarefa irá analisar caso a caso. Será um trabalho grande, mas a expectativa é de que ele seja feito o mais rapidamente possível", afirmou o secretário nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Ramais de Castro Silveira.

O secretário admitiu, porém, que a proteção é apenas uma etapa do trabalho. "São necessárias mudanças estruturais. Um trabalho de inteligência, para identificar os mandantes das ameaças, auxílio da Justiça, para que as ações caminhem rapidamente e ações sociais", destacou. Todas as ações deverão ter a participação dos governos locais.

Propostas. A expectativa é de que a reunião para definir as estratégias com governadores seja realizada ainda esta semana. Ontem, integrantes do grupo interministerial discutiram o teor do encontro. Além da oferta de envio da Força Nacional - destacada tanto para ações de repressão quanto de investigação - e do programa de proteção para pessoas ameaçadas, poderão ser acertadas outras estratégias.

Nos dois dias de trabalho, integrantes da força-tarefa identificaram deficiências na atuação para melhorar a segurança na região. Algo que certamente será discutido no encontro. "O clima não será de cobrança, mas de entendimento", disse Castro Silveira. A expectativa é de realizar também reuniões com representantes do Ministério Público dos Estados e com juízes.

Crimes. Em menos de uma semana, quatro pessoas foram assassinadas em áreas de conflito de terra no Norte. Três vítimas - o casal José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo e o agricultor Erenilton Pereira dos Santos - moravam no assentamento Praialta-Piranheira, em Nova Ipixuna (PA). A quarta vítima, o líder do Movimento Camponês Corumbiara, Adelino Ramos, foi morta em Rondônia.

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