União e Estado fazem duelo de máquinas em SP

Há 16 anos no governo, o PSDB aposta na influência de Alckmin, mas o PT confia em Lula como arma de Mercadante na disputa

Malu Delgado e Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2010 | 00h00

O duelo entre tucanos e petistas pelo governo de São Paulo refletirá a queda de braço entre as máquinas do Estado e da União. Repasse de verbas a prefeitos, nomeações e investimentos em publicidade, atos rotineiros de administrações públicas, tornam-se ingredientes fundamentais da mais acirrada disputa entre PT e PSDB.

Enraizado no poder há 16 anos em São Paulo, o PSDB se escora na influência de Geraldo Alckmin como ex-governador à espera de uma vitória. Para o PT, o poder de sedução do presidente Lula sobre prefeitos é arma poderosa do senador Aloizio Mercadante ? além da inédita coesão da sigla no Estado. Prefeitos da oposição admitem que, sob Lula, a distribuição de verbas não privilegiou só aliados.

Há petistas que reconhecem que também Serra adotou critérios "republicanos" na distribuição de verbas, como o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, coordenador político da campanha de Mercadante: "Ele foi correto comigo". O líder do PT na Assembleia, Antonio Mentor, contesta e afirma que o PSDB fez repasses "monstruosamente menores para a oposição".

O total gasto pelo Estado com convênios foi de R$ 775 milhões em 2008, cerca de R$ 795 milhões em 2009, e há um montante de repasses empenhado (comprometido) até o momento de R$ 491 milhões. O PT argumenta que o gasto per capita (soma de populações governadas pelo PT e pelo PSDB) evidencia o tratamento diferenciado. Em 2009, por exemplo, o PSDB teve repasse per capita de R$ 17,26 e o PT de R$ 3,24. O governo estadual nega e rejeita esse critério de análise do PT.

Segundo o Portal Transparência, do governo federal, o volume total de investimentos da União em municípios de São Paulo, considerando transferências obrigatórias e convênios, está em linha ascendente. No primeiro ano do segundo mandato de Lula, o governo federal destinou R$ 10,8 bilhões ao Estado, valor que alcançou quase R$ 16 bilhões em 2009.

Além do efeito Lula, o PT aposta no "efeito psicológico" do crescimento da candidata à Presidência, Dilma Rousseff, que pode causar a debandada de lideranças regionais dos palanques de Geraldo Alckmin,

"Nós temos uma infantaria de mais de 400 prefeitos da aliança. Estamos mapeando e trabalhando nas 42 regiões de governo", afirma o deputado estadual Sidney Beraldo, coordenador da campanha de Alckmin. "As prefeituras hoje são muito receptivas ao PT, incluindo as do DEM e do PSDB. Mercadante, como senador, teve ótimo relacionamento com os prefeitos", diz Emídio.

Kassab. A força da Prefeitura de São Paulo não pode ser menosprezada. Nos bastidores, dirigentes do PSDB e do DEM admitem que o apoio de Gilberto Kassab a Alckmin só ocorreu por fidelidade a Serra. Alckmin disputou a prefeitura com Kassab em 2008, contrariando Serra e fragmentando a aliança com o DEM. A insistência e a derrota têm custado caro ao candidato,

O vice de Alckmin, Guilherme Afif Domingos (DEM), foi nomeado coordenador da campanha na capital, a maneira encontrada para forçar os democratas a se comprometerem com a campanha. O PT comemora a desunião entre tucanos e democratas. O vereador Carlos Apolinário (DEM) declarou apoio a Mercadante e perdeu o posto de líder da sigla na Câmara.

Reservadamente, tucanos reconhecem que a campanha alckmista não foi às ruas de fato, pois ele precisou costurar a coesão interna. Com a última pesquisa CNI/Ibope, que mostrou Dilma à frente de Serra, aumentou a cobrança para que Alckmin marque posição no Estado.

Tanto o governo estadual quanto o federal têm em mãos outro poderoso instrumento ? a publicidade. Petistas reclamam que esbarram, no interior, com infinitas campanhas publicitárias do governo paulista. Tucanos, por outro lado, citam o bombardeio das peças federais na mente do eleitorado paulista e acusam o governo Lula de uso indevido de verbas publicitárias a favor do PT nos Estados.

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