Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

União pede investigação sobre cobrança de aluguel em prédio que desabou

Todos os moradores consultados pelo Estado relataram que pagavam taxa entre R$ 100 e R$ 350 por mês

Fabio Leite e Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

02 Maio 2018 | 21h37

A União, proprietária do imóvel que desabou no centro de São Paulo, pediu à Polícia Federal que investigue a cobrança de eventuais taxas de aluguel dos ocupantes, seus responsáveis e motivações. Todos os moradores consultados pelo Estado relataram que pagavam “aluguel” entre R$ 100 e R$ 350 por mês. Segundo afirmam, a taxa era usada para custear produtos de limpeza, além de advogados que atuam para o movimento. 

Eles tinham uma carteira de identificação. Na parte de trás do cartão, havia uma tabela com 12 quadrados – um para cada mês do ano. Após pagar o “aluguel” do mês, o quadrado recebia um carimbo e a assinatura do coordenador – outros movimentos adotam essa prática. 

+ Prefeitura e movimento fecham acordo para famílias deixarem Largo do Paiçandu

Mesmo assim, a situação dos sem-teto no edifício era precária. Obrigados a pagar “aluguel”, tinham de conviver com banheiros comunitários com infestação de ratos e a possibilidade de serem acordados a qualquer hora para participar de outra invasão. 

Segundo os moradores, cada andar tinha apenas um banheiro, que era compartilhado por todas as famílias do pavimento. “Nós mesmos que fazíamos a faxina, em escala de revezamento”, disse um sem-teto.

A energia elétrica era furtada de um prédio vizinho. Os elevadores, no entanto, não funcionavam e o acesso aos apartamentos só era possível pelas escadas. Por lá, também subiam botijões de gás, móveis e eletrodomésticos. “Subi com a minha geladeira para o 7.º andar”, contou Tatiane Reis, de 38 anos, que só conseguiu salvar uma bolsa e os documentos. Também havia uma infestação de ratos no local, segundo relatos. “O prédio tinha porão e o mais provável é que os ratos ficassem lá embaixo.”

União. O superintendente da União em São Paulo, Robson Tuma, esteve nesta quarta na Rua Antônio de Godói para a realização de vistoria no prédio que desabou, acompanhado de uma equipe de engenheiros da Prefeitura. O edifício era de propriedade da União, mas a Prefeitura detinha a guarda provisória do local. 

Na sequência, a Secretaria do Patrimônio da União enviou ofício à Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo para solicitar a instauração de inquérito sobre a tragédia. No ofício, também foi solicitada a apuração de eventuais cobranças de “aluguel” dos ocupantes, seus responsáveis e motivações. 

Segurança

Um laudo de sete páginas, feito pela Prefeitura de São Paulo ainda em janeiro do ano passado, atesta que o edifício “não reunia condições mínimas de segurança contra incêndio”, por causa das instalações elétricas precárias. 

O documento serviu de base para que o Ministério Público Federal enviasse, ainda no ano passado, uma recomendação à Superintendência do Patrimônio Público da União (SPU/SP) para que fosse feita uma “reforma estrutural emergencial” no prédio do Largo do Paiçandu, que acabou não sendo realizada. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.