União vai pedir a Alckmin que Beira-Mar fique em São Paulo

O governo federal já admite renegociar a permanência do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, na penitenciária de segurança máxima de Presidente Bernardes, no interior do Estado de São Paulo. Em troca, a União daria alguns benefícios, na área de segurança pública, para o Estado, inclusive com investimentos no sistema penitenciário.O motivo para manter Beira-Mar em São Paulo seria a falta de outro estabelecimento seguro o suficiente para abrigar o traficante. Várias opções vêm sendo consideradas pelo governo federal, mas, segundo fontes de Brasília, uma das melhores alternativas é manter Beira-Mar em Presidente Bernardes."Estamos estudando essa possibilidade, mas em comum acordo com o governo de São Paulo", disse uma autoridade federal. "Se não houver outros meios, vamos tentar convencer o governador Geraldo Alckmin a manter o preso."O assunto já vem sendo discutido no governo desde a semana passada, mas só será levado a Alckmin se o governo não encontrar alternativa. O Ministério da Justiça estava estudando a transferência do bandido para Acre, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal, mas ninguém até agora aceitou Beira-Mar.O governador do Acre, Jorge Viana (PT), alega que, na Cadeia Pública Federal, além do ex-deputado Hildebrando Pascoal (condenado por tráfico e homicídio) e seu bando, está o coronel Ferreira, ligado ao crime organizado do Espírito Santo. Todos são bandidos perigosos. Os demais locais alegaram falta de segurança.Mato Grosso do Sul seria uma das alternativas possíveis, mas as autoridades federais temem a transferência de Beira-Mar para o Estado. Isso porque, há três anos, o criminoso mandou matar quase toda a família do narcotraficante João Morel, que dominava a venda de maconha vinda do Paraguai. Com o crime, Beira-Mar assumiu o comando das plantações de Capitão Bado, em território paraguaio, mas virou inimigo de Líder Cabral, outro grande traficante da região. A proximidade poderia deixar o clima tenso no Estado.Segundo a assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeirantes, Alckmin não foi consultado pelo governo federal sobre a possível permanência de Beira-Mar em Presidente Bernardes. Neste domingo, Alckmin afirmou que o bandido não ficaria no interior de São Paulo e que governo federal já havia encontrado uma nova prisão para o traficante.O secretário de Administração Penitenciária de São Paulo Nagashi Furukawa, reafirmou nesta segudna-feira, em Ribeirão Preto, que Beira-Mar não ficará no Estado. "Isso não vai acontecer, não será pedida a prorrogação do prazo, não adianta especularem", garantiu Furukawa."O pedido do ministro (da Justiça) Márcio Thomaz Bastos foi para 30 dias", afirmou o secretário, que hoje inaugurou uma penitenciária feminina na região. A unidade deve começar a receber detentas na semana que vem. Veja o especial:

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