Universidades do Paraná continuam em greve

A greve em três das principais universidades estaduais do Paraná, que completa hoje 114 dias, não tem perspectiva de terminar tão cedo.Os servidores pedem que o governo apresente um índice de reajuste para que possam discutir o fim do movimento. No entanto, o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, disse, nesta segunda-feira, que o governo somente encaminhará para discussão o novo Plano de Carreiras, Cargos e Salários (PCCS) com o fim da paralisação.Segundo ele, "há necessidade de corrigir os salários iniciais dos professores", que estão em torno de R$ 700,00.Os servidores das universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM) e Cascavel (Unioeste), num total aproximado de 9 mil pessoas, pedem reposição salarial de 50,3%.O governo se propôs a flexibilizar o orçamento de 2002 para atender à reestruturação do PCCS, "desde que seja possível atender às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal".Os grevistas exigem que o governo apresente índices. "A intransigência vem do governo", afirma o presidente do sindicato dos Professores da UEL, Cesar Caggiano. "O movimento está partidarizado", reclama o secretário Wahrhaftig.Formandos da UEL que conseguem provar ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão que completaram as disciplinas têm conseguido colar grau. Em Maringá e Cascavel, alguns entraram na Justiça reivindicando esse direito.Os vestibulares da UEL e da UEM já tiveram as datas suspensas. O comando de greve da Unioeste começou a coletar assinaturas de membros do Conselho Universitário para uma autoconvocação, quando seria decidida a suspensão do vestibular na instituição, marcado para o fim deste mês.Preocupada com a situação, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Londrina instaurou um procedimento administrativo. "Não questiono o direito de greve, mas defendo o direito da sociedade aos serviços públicos", disse o promotor Bruno Galotti.Em relação ao Hospital Universitário, o promotor observa, em ofício enviado à Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que o atendimento foi reduzido nos seguintes porcentuais: 25% dos casos de pronto-socorro, 35% dos casos de internamento, 6% dos casos de atendimento ambulatorial e 22% das cirurgias."Diante da ausência de qualquer perspectiva de solução para o impasse, observa-se que a Administração Pública deve adotar medidas imediatas para fazer cessar atos tendentes a causar graves e irreparáveis prejuízos" aos formandos, estudantes, vestibulandos e pacientes que deixam de ser atendidos no HU.Galotti disse esperar uma solução administrativa. "Se não houver essa resposta, vamos procurar a esfera judicial", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.