Universitária morre ao ser atingida por tiro de fuzil dentro de carro

Haissa Vargas Motta, de 22 anos, voltava de uma festa quando foi baleada na Baixada Fluminense. Polícia diz que veículo fugiu de abordagem; passageiros afirmam que PMs simplesmente atiraram

Thaise Constâncio, O Estado de S. Paulo

05 Agosto 2014 | 14h48

Atualizada às 17h59

RIO - A jovem Haissa Vargas Motta, de 22 anos, morreu após ser atingida por um tiro de fuzil nas costas dentro de um carro, em Nilópolis, na Baixada Fluminense, quando voltava de uma festa neste sábado, 2. Os disparos foram feitos por policiais militares. As circunstâncias da morte ainda não foram esclarecidas, pois os PMs apresentaram uma versão diferente da dos quatro amigos da jovem que estavam no veículo.

De acordo com o comando do 41.º Batalhão (Irajá, na zona norte), os policiais patrulhavam a Avenida Nazaré, no bairro Anchieta, na zona norte, e suspeitaram de ocupantes de um veículo HB20, branco, "pois já haviam recebido informações de que havia ocorrido assaltos realizados por criminosos em veículos com as mesmas características", explica a nota da assessoria de Imprensa da Polícia Militar.

Ainda segundo a versão oficial, o motorista fugiu quando os militares tentavam abordá-lo, então "os policiais dispararam contra os pneus do carro que parou na Avenida Roberto Silveira, em Nilópolis". Haissa, que estava sentada no banco do meio, foi ferida na perseguição. O condutor do veículo, que não teve o nome divulgado, foi encaminhado para a 58.ª Delegacia de Polícia (Posse, em Nova Iguaçu, na Baixada).

Já os amigos de Haissa dizem que os policiais não sinalizaram e atiraram contra o veículo sem saber quem estava no carro. "Não sinalizaram nada, não piscaram farol, não fizeram barulho de nada. Eles simplesmente surgiram e alvejaram a gente. Eles atiraram para matar. Não foi para advertir, para chamar a atenção. Como que a polícia atira mais de dez vezes com fuzil em um carro sem saber quem são?", disse uma das amigas da jovem, em entrevista ao jornal Bom Dia Rio.

Haissa, que estudava na Unisuam, chegou a ser levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu aos ferimentos. Ela foi enterrada no Cemitério de Nova Iguaçu neste domingo, 3.

O comandante do 41.º BPM, tenente-coronel Luiz Carlos Leal Gomes, abriu sindicância para apurar as circunstâncias do caso. Os policiais militares foram afastados das ruas e vão trabalhar administrativamente até que o inquérito seja concluído. As armas usadas na ação foram apreendidas.

O caso será investigado pela Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) como homicídio decorrente de intervenção policial (o antigo auto de resistência). O carro em que a jovem estava foi periciado, testemunhas foram ouvidas e as câmeras de segurança foram solicitadas. A viatura possui câmeras e as imagens serão analisadas durante a investigação. A delegacia aguarda o resultado dos laudos da perícia.

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