Universitária seqüestrada é libertada após 43 dias

A estudante universitária Adriana Barbosa Garcia, de 28 anos, foi libertada na noite de terça-feira, depois de passar 43 dias seqüestrada. Um telefonema de dentro da cadeia foi a senha para que os seqüestradores soltassem Adriana, que estava em cativeiro desde as 9 horas do dia 25 de setembro. Nos dias em que ela passou em cativeiro, bandidos disseram que compraram Adriana de outra quadrilha. Ela teve uma pequena parte da orelha cortada e enviada à família.Filha de um pastor evangélico dono de imóveis em Pirituba, na zona oeste, Adriana foi deixada às 20h30 pelos seqüestradores na Avenida Presidente Tancredo Neves, no Sacomã, na zona sul de São Paulo. Ela telefonou para Luis Carlos Barbosa Garcia, seu irmão, que é proprietário de guinchos na zona oeste. Garcia avisou os policiais da Divisão Anti-Seqüestro (DAS), do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), que foram buscar Adriana e a levaram ao Hospital das Clínicas.Foi a ação da DAS que provocou o telefonema do bandido com a ordem para soltar Adriana. Na semana passada, os investigadores da divisão descobriram a identidade de dois acusados de participar da quadrilha, entre eles a de um homem conhecido como Paulinho Nego Cão. Os dois foram presos e indicaram o barraco da Favela Parque das Flores, na zona leste de São Paulo, em que o bando mantinha como refém havia 26 dias uma estudante - seqüestrada em Suzano, na Grande São Paulo, quando voltava da escola.Segundo cativeiroO barraco já era o segundo cativeiro que a quadrilha usava para manter a vítima - o primeiro foi uma chácara em Poá, na Grande São Paulo. A jovem era mantida acorrentada e teve parte dos cabelos cortada e mandada à família. Com a prisão dos acusados, a DAS montou uma operação e libertou a estudante. Um casal que tomava conta da vítima conseguiu fugir.A polícia esperava encontrar no mesmo cativeiro Adriana, mas ela não estava lá. A DAS convenceu Nego Cão a colaborar para que sua situação processual não piorasse. O bandido resolveu ligar para os colegas e ordenar a libertação de Adriana. Logo em seguida, um dos seqüestradores telefonou para a família da estudante universitária dizendo que ela seria solta em breve.A libertação ocorreu sem que novo resgate fosse pago. Um primeiro, no valor de R$ 40 mil, foi entregue pela família aos bandidos. Mas, em vez de libertá-la, eles resolveram vendê-la a outro grupo. Pelo menos foi o que disse o criminoso que passou a negociar com a família para justificar porque não soltaria Adriana. Para a DAS, é preciso apurar essa informação, pois ela pode ter sido só um truque dos bandidos extorquirem mais dinheiro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.