Universitário é encontrado morto em matagal no campus da USP

Mulher prestou queixa de desaparecimento; vítima sofria de depressão

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

O corpo de Carlos Andrei Carvalho, de 32 anos, foi encontrado ontem à tarde, num matagal do campus da Universidade de São Paulo (USP), no Butantã. Carvalho fazia o curso de Geografia, no período noturno, na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH).O estudante estava desaparecido havia quatro dias. Carvalho só foi encontrado às 17 horas, depois de buscas nos matagais da USP feitas pelo Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar. O corpo estava na mata próxima da Avenida Professor Lineu Prestes, onde fica o prédio da Faculdade de Geografia.Não havia marca aparente de violência no corpo - em estado de decomposição. A 100 metros do local, foram achados dois copos de plástico, duas seringas e um gorro de lã preto.De acordo com o delegado José Manoel Martins, do 93º DP, não está descartada a hipótese de suicídio. Mas, segundo ele, ainda é impossível saber se as seringas foram usadas por Carvalho. O corpo do rapaz só foi retirado do matagal às 21h20 para ser levado ao Instituto Médico Legal (IML).Na noite de terça-feira, a mulher do estudante, uma jovem de 23 anos, foi ao 51º DP, no Butantã, para relatar o sumiço de Carvalho. Segundo o depoimento à polícia, o estudante havia saído naquele dia de manhã, por volta das 6h30, para ir trabalhar, mas não chegou ao serviço. Além de estudar na USP, Carvalho era funcionário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo.Na quarta-feira, um dia depois de prestar queixa do desaparecimento, a mulher foi levar o filho dela e de Carvalho, que tem 4 meses, ao Hospital Universitário - que fica dentro do campus da USP. No caminho, encontrou o carro do marido, um Renault Clio prata, estacionado na Avenida Professor Lineu Prestes. Notou que o veículo estava com as portas abertas e com a chave no contato. Anteontem, o COE começou as buscas ao estudante na região.Ainda segundo o depoimento da mulher de Carvalho, o estudante sofria de depressão, tomava medicamentos de uso controlado e era acompanhado por um psiquiatra. A polícia informou que parentes do rapaz disseram ontem que, há um mês, ele teve uma crise e desapareceu à tarde. Foi encontrado em outro matagal da USP.O delegado Martins afirmou que não é comum estudantes freqüentarem o lugar em que achou Carvalho. "A mata é densa e o corpo estava distante da trilha que os alunos costumam usar." Um delegado do DHPP, que deve assumir as investigações, esteve ontem no local, mas não quis se pronunciar.Carvalho entrou na USP em 1996. Usuário de drogas, trancou o curso em 2000. Em 2003, livrou-se do vício e retomou os estudos. Este ano, o aluno tinha muitas faltas. Ontem, faria prova da disciplina Regionalização do Espaço Brasileiro, da qual só tinha assistido a duas aulas.RÁDIOEm outubro de 2005, o universitário Rafael Azevedo Fortes Alves, de 21 anos, aluno da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP foi morto pelo colega Fábio Senechal Nanni, também de 21. O crime ocorreu dentro da Rádio USP, onde Rafael era estagiário.

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