Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Universitários desenvolvem protótipos para corrigir postura e monitorar ar

Projetos, apresentados para investidores-anjo, dependem agora de capital para ganhar escala

Camila Abrão Ribas, Especial para o Estado*

09 Dezembro 2016 | 05h00

O estudante universitário Robson José Silva, de 30 anos, precisou de menos de R$ 200 para desenvolver um colete capaz de monitorar a postura de quem precisa passar muitas horas sentado. Com a orientação de três fisioterapeutas, ele construiu um protótipo que chamou de Coleco. Da cervical à lombar, três sensores conectados por um fio conseguem “ler” o posicionamento da coluna, levando em conta a força da gravidade. As informações enviadas via bluetooth para o celular geram um alerta para que o usuário corrija a postura. O sistema ainda fornece dicas de alongamentos e exercícios caso a pessoa esteja há muito tempo na mesma posição.

“É um colete ortopédico normal, que pode ser usado durante todo o dia, sem restrição. É confortável e promove a reeducação postural”, explica Silva, que é aluno de Engenharia da Computação na Universidade Positivo, em Curitiba (PR). Ele afirma que a peça é discreta, feita para ser usada por baixo de uma camisa, por exemplo. E que poderia ajudar muitas pessoas. Cerca de 27 milhões de brasileiros sofrem com problemas de dor crônica na coluna, de acordo com os dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Projetos como o de Silva contam com a tecnologia de microcontroladores – chips que podem ser programados para tarefas específicas e que ampliam as oportunidades para quem desenvolve iniciativas de baixo custo. São peças de fácil acesso, que podem ser retiradas de praticamente todos os equipamentos eletrônicos e têm baixo consumo de energia. Dentro das universidades, projetos com esse componente se multiplicam.

É o caso da proposta dos universitários Ivan Waltrick, de 23, e Gabriel Tognato Crespilho, de 24, que desenvolveram um sistema de monitoramento da qualidade do ar, batizado de Lifety. Um microcontrolador e sensores captam informações do ambiente, como temperatura, umidade, nível de ruído e de impurezas no ar. A placa eletrônica instalada em uma caixa transparente transmite os dados para um site, para consulta em tempo real. “Pensamos no projeto, inicialmente, para quem pratica atividades físicas nos parques e está preocupado com as condições do ar. Mas as aplicações são muitas, como o monitoramento de temperatura em uma UTI neonatal, para dar conforto aos recém-nascidos, ou em áreas de segurança do trabalho nas fábricas”, comenta Waltrick.

Os alunos construíram quatro módulos de monitoramento, ao custo total de R$ 4 mil. Eles trabalham para superar as limitações do sistema, como a necessidade de conexão com a internet e de fonte de energia. Mas o principal desafio é ganhar escala. Assim, iniciativas que surgem nas universidades poderiam ficar mais baratas e chegar facilmente ao público.

O Lifety e o Coleco ainda não estão disponíveis para a população. Mas podem chegar ao mercado caso consigam convencer financiadores em apresentações conhecidas como pitch, em que desenvolvedores têm a chance de mostrar suas ideias para investidores-anjos – que, mais do que aportarem dinheiro, atuam como mentores, dando conselhos e ajudando a abrir portas no mundo dos negócios.

Silva e Waltrick participaram de um evento de apresentação na primeira semana de dezembro. Falaram, por exemplo, com o italiano Maurizio Calcopietro, que trabalhou por 19 anos como diretor de Tecnologia da Informação da Ferrero Rocher no Brasil e há sete meses atua exclusivamente como investidor-anjo. “Vários dos projetos que vi, com certeza, têm viabilidade e futuro”, comentou o italiano. Calcopietro assegurou que, das 15 propostas que viu, a que mais gostou foi a do aplicativo para correção postural. “Coloquei nota dez na minha avaliação. É o mais viável", resumiu. O investidor quer estreitar as relações com o ambiente acadêmico, buscando nas universidades os projetos em que pretende aplicar dinheiro.

*Camila Abrão Ribas foi finalista do 11º Prêmio Santander Jovem Jornalista.

A fase final e a cerimônia de premiação ocorreram na quinta-feira, 8, na sede do banco, com a participação do diretor de Jornalismo do Grupo Estado, João Caminoto e de Marcos Madureira, vice-presidente executivo de Comunicação, Marketing, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Santander. Os finalistas receberam laptops e garantiram a publicação de suas matérias. 

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