UPP no Complexo do Alemão deve ser instalada em seis meses, diz Cabral

Durante o período, comunidade será ocupada por forças policiais e por soldados do Exército; tempo foi determinado de acordo com cronograma de concursos para seleção de novos PMs

estadão.com.br,

29 Novembro 2010 | 10h18

RIO - O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), anunciou na manhã desta segunda-feira, 29, que a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, deve levar de seis a sete meses, de acordo com o cronograma de concursos para seleção de novos policiais militares.

 

Segundo ele, durante este período a comunidade será ocupada por forças policiais regulares e por soldados do Exército com o apoio de veículos blindados da Marinha. Cabral explicou que a Secretaria de Segurança do Rio ainda está negociando com o Ministério da Defesa para estabelecer previsões legais que permitam a permanência das tropas no complexo.

 

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Vidigal e Rocinha. O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, garantiu neste domingo, 28, que os próximos passos da estratégia de combate ao tráfico no Rio incluirá as comunidades do Vidigal e Rocinha, localizadas na zona sul da cidade. Beltrame enviou um recado para os bandidos: "Quem apostar na derrota, vamos dobrar a aposta".

 

Beltrame disse ainda que o Complexo do Alemão continuará ocupado. "Podemos garantir que aquela área vai permanecer ocupada e policiada", disse em entrevista a jornalistas. Para ele, o território resgatado neste domingo "era o coração do mal".

 

Ele também considerou que a caminhada contra o crime no Estado é grande e que foi dado um passo importante. "Vencemos a mais importante e a mais difícil batalha. A recuperação do território é uma função e um objetivo que nós estabelecemos como um dos principais propósitos desta política e não vamos nos afastar disso", disse.

 

Para o secretário, a operação contra a criminalidade não vai ser debelada com facilidade e tranquilidade. "Foi muito importante porque se gerou expectativa de solução para um problema que não sei se as pessoas achavam que iria se resolver".

 

'Caminhada é grande'. Ele comemorou o resultado da operação na Vila Cruzeiro e Alemão, mas frisou os desafios da política de segurança no Rio. "Não resolvemos todos os problemas, a caminhada é muito grande, não tem jogo ganho, não tem partida ganha, há muito o que fazer, mas já demos um passo importantíssimo", disse.

 

Beltrame destacou o sucesso do trabalho conjunto com as Forças Armadas. "Estamos satisfeitos em participar de uma operação em que o Estado brasileiro voltou a ter autoridade sobre uma área do seu território".

 

Indagado por jornalistas sobre uma possível manutenção da força dos traficantes que conseguiram fugir da Vila Cruzeiro e do Alemão, Beltrame disse que mesmo os que escaparam estão enfraquecidos. "Há marginais presos e posso garantir que os que fugiram, sem arma, sem casa, sem território, são muito menos marginais do que eram antes".

 

O secretário concedeu a entrevista após reunião com o comandante da Polícia Militar, Mário Sérgio Duarte; o chefe da Polícia Civil no Rio, Allan Turnowski; o superintendente da Polícia Federal no Rio, Angelo Joia; o superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Rio, Antonio Vital e o comandante militar do Leste, Geraldo Adriano Pereira Junior, que também participaram do encontro com os jornalistas.

 

(Alfredo Junqueira, Bruno Boghossian e Solange Spigliatti)

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