Uso da força para evacuar áreas de risco atrapalha resgate

Moradores do Morro do Baú fogem e se escondem dos helicópteros de resgate

Júlio Castro, de O Estado de S. Paulo,

30 Novembro 2008 | 20h57

O uso da força policial para a retirada de pessoas que se recusam a deixar as áreas de risco, conforme portaria assinada pelo prefeito de Ilhota Ademar Félix, o município com o maior número de mortos (37) na enchente em Santa Catarina, veio a dificultar as operações de resgate. Segundo o tenente Alessandro Faslzck, da Defesa Civil, pelo menos 80% dos moradores do Morro do Baú já foram retirados e o restante foge para o mato com a aproximação dos helicópteros de resgate. "Ao perceberem a chegada das aeronaves, as pessoas fogem para as áreas de matas", informou.   Veja também:Saiba como ajudar as vítimas da chuvaIML divulga lista de vítimas identificadas Repórteres relatam deslizamento em Ilhota  Mulher fala da perda de parentes em SC Tragédia em Santa Catarina Blog: envie seu relato sobre as chuvas Blog Ilha do sem Blumenau Blog Desabrigados Itajaí Blog Arca de Noé Veja galeria de fotos dos estragos em SC  Tudo sobre as vítimas das chuvas   Ele acrescentou que pelo menos 19 pessoas estão desaparecidas naquela região que tem a maioria dos óbitos registrados no município. Na manhã desde domingo foram registrados novos deslizamentos no local. Técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT/SP) definiram a área de aproximadamente 100 quilômetros quadrados como "Perímetro Preto", por causa da restrição total ao acesso uma vez que se mantém com alto risco de deslizamentos. Pelo menos 60 pessoas já foram resgatadas daquela região montanhosa desde a última terça-feira. Elas estavam sem comunicação, eletricidade e água potável.  Dados oficiais do Departamento de Defesa Civil de Santa Catarina (DDC/SC) registraram, até às 19h30, de domingo (30) 112 mortes e 19 desaparecidos confirmados na enchente. 51.297 pessoas estão desalojadas e 27.410 se mantém desabrigadas. O DDC/SC comunica que todas as localidades atingidas sem mantém em situação de risco. A chuva na região diminuiu, porém o solo se mantém com umidade bem acima da média.  Um mural de recados dentro do site desastre.sc.gov.br está permitindo que familiares e amigos de vítimas das enchentes e voluntários envolvidos com a ajuda à Santa Catarina se comuniquem e até encontrem pessoas desaparecidas. O site, segundo a Defesa Civil, permite a interação entre a população afetada e a busca de informações sobre o maior desastre da história catarinense.  A orientação da Defesa Civil do Estado é para que as pessoas utilizem o espaço não apenas para fazer comunicados, mas também para interagir. "A idéia é que própria comunidade se integre ao processo e troque informações, colaborando com os trabalhos da Defesa Civil, pois juntos somos mais fortes", ressalta o major Emerson Neri Emerin, do DDC/SC". A recomendação é para que as pessoas priorizem, na região de Itajaí, as doações de colchões, roupa de cama ou cesta básica pronta. Segundo o tenente-coronel Nildo Teixeira, que coordena a chegada e distribuição de doações para Itajaí e outros nove municípios, estas são as necessidades atuais, no momento. E virtude da falta de estrutura e logística, e pelas más condições das rodovias federais, estaduais e municipais de SC, a Defesa Civil pede para as pessoas que querem ajudar as vítimas das chuvas que façam as doações, preferencialmente, em dinheiro. Qualquer valor pode ser depositado. Até agora, mais de 800 toneladas de alimentos e mais de 50 toneladas roupas foram arrecadadas. As doações são muito importantes, contudo, exigem muita logística para que sejam encaminhadas até as vítimas, que se encontram em alojamentos públicos ou casas de amigos ou parentes. Nesse momento, é mais prático que a doação seja realizada em dinheiro. Dessa forma, os mantimentos poderão ser comprados no próprio município atingido, contribuindo ainda para a injeção de recursos financeiros na economia local.

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