André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Uso de Forças Armadas tem de ser pontual, diz embaixador do Brasil na OEA

Segundo José Luiz Machado e Costa, diante da debilitação do aparato policial brasileiro, os governos estaduais têm a 'tentação' de requerer socorro militar

Cláudia Trevisan, Correspondente

08 Fevereiro 2018 | 23h33

As Forças Armadas não têm a missão de garantir a segurança pública e seu uso para esse objetivo deve ocorrer apenas em casos pontuais e não da maneira generalizada que se registra no Brasil, afirmou nesta quarta-feira, 7, o embaixador José Luiz Machado e Costa, presidente da Comissão de Segurança Hemisférica da Organização dos Estados Americanos (OEA).

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Segundo ele, diante da debilitação do aparato policial brasileiro, os governos estaduais têm a "tentação" de requerer socorro militar. "Em vez de investir recursos e energia para reforçar as polícias dos Estados, é mais fácil, em uma situação de crise, pedir ajuda federal, 'manda o Exército'", observou Machado e Costa, que também é embaixador do Brasil na OEA. "Eles vão dar uma satisfação a seus eleitores, para a sociedade, de que estão fazendo algo para garantir a segurança pública, trazendo as Forças Armadas federais, mas não vão atacar o cerne da questão, que é o reforço das polícias."

Nesta quarta, Machado e Costa presidiu uma conferência na OEA sobre a utilização das Forças Armadas na garantia de segurança pública, na qual acadêmicos manifestaram preocupação em relação à tendência. "Isso mina a estrutura militar, mina a credibilidade das polícias e pode ter implicações políticas importantes", disse o brasileiro Gunther Rudzit, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Só no ano passado, lembrou Rudzit, houve 16 intervenções das Forças Armadas no Rio. "Cada operação leva 2.000 homens, que são expostos a toda uma série de circunstâncias para as quais não foram preparados", ressaltou o embaixador. 

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