USP ensina professor a identificar agressões

No próximo mês, 500 profissionais vão passar por cursos preparatórios

Brás Henrique, O Estadao de S.Paulo

17 Fevereiro 2009 | 00h00

A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), criou um programa para facilitar a identificação, nas escolas públicas municipais e estaduais, de casos de violência familiar contra crianças e adolescentes. O projeto já foi aprovado pelo Ministério da Educação (MEC). Em março, 400 professores e cem agentes educacionais devem começar os cursos preparatórios. Serão criados também dez Núcleos de Prevenção de Violência contra Criança e Adolescente, em dez municípios da região.O projeto trabalha prevenção e atendimento a casos de bullying - prática de agressão física ou psicológica contra as crianças na escola - e violência contra crianças e adolescentes. O programa terá recursos de R$ 250 mil neste ano, do Escola que Protege (do MEC), tanto para bancar os cursos quanto aquisições de materiais paradidáticos para professores e agentes educacionais, que passarão a ser "detetives" nas escolas."O professor é um dos agentes privilegiados para reconhecer esse tipo de violência, pois tem contato diário com os alunos, observa seus comportamentos e tem condições de ver se as crianças têm alguma marca ou sinal de agressão", diz o psicólogo social Sergio Kodato, professor da FFCL e coordenador do Observatório de Violência e Práticas Exemplares, do Departamento de Psicologia.Ao detectar atos violentos contra os alunos, os professores precisam encaminhar os casos aos Conselhos Tutelares. Despreparados, muitos podem não detectar a agressão ou não saber como agir. No curso, cada professor terá de participar de 40 horas presenciais e mais 20 horas de ensino a distância. Para Kodato só isso não basta. Por isso, serão criados núcleos nas cidades de Ribeirão Preto, Araraquara, Bebedouro, Serrana, Cajuru, Taquaritinga, Pontal, Barrinha, Sertãozinho e Cravinhos.A intenção é criar uma rede de proteção e atendimento a crianças e adolescentes. Para isso, parcerias serão firmadas com secretarias municipais de educação da região. "Os municípios têm de dar suas contrapartidas", afirma Kodato. Com a rede de núcleos criada, o contato com os conselheiros tutelares será facilitado. "Será uma mudança de atitude e de estratégia nos municípios."A meta é que participem professores da educação infantil até o ensino médio. Neste ano, as escolas estaduais paulistas estão recebendo manuais antibullying e os professores serão treinados para lidar com esse tipo de situação. Kodato considera a medida importante, pois poderá evitar que surjam adultos violentos ou mesmo que os professores sejam vítimas dos alunos. CASOS QUE CHOCARAM O PAÍSAsfixia: Em dezembro do ano passado, o operador de máquinas Eraldo Marcondes, de 26 anos, foi preso em Ribeirão Preto (SP) após confessar o assassinato, por asfixia, de seu filho, Eduardo, de 2 anos e meio. Ele disse que cometeu o crime para não ter de pagar a pensão alimentícia Tortura: Também em Ribeirão Preto, o casal Kátia Marques e Juliano Gunello foi acusado, em outubro de 2008, de torturar até a morte o filho dela, Pedro Henrique Marques Rodrigues, de 5 anos. O menino morreu no dia 12 de junho, após ser levado para um hospital. A mãe e o padrasto chegaram a dizer que a criança havia ingerido um produto para combater ferrugem, mas exames constataram fraturas no corpo causadas por maus-tratos, que já aconteciam havia um anoJoão Vitor e Igor: No dia 5 de setembro de 2008, os irmãos João Vitor Rodrigues, de 13 anos, e Igor Giovanni, de 12, foram mortos e esquartejados em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo. Os irmãos já haviam tentado fugir por causa dos maus-tratos sofridos, mas o Conselho Tutelar entendeu que deveriam voltar para a casa onde moravam com o pai, o vigia João Alexandre Rodrigues, e a madrasta Eliane Rodrigues. Quando chegaram, os irmãos foram asfixiados com sacos plásticos. Depois, o casal, segundo a polícia, tentou colocar fogo nos corpos, mas não conseguiu. Os restos mortais dos irmãos foram achados no lixo. O casal foi preso e ainda aguarda julgamentoIsabella: Na noite de 29 de março de 2008, a menina Isabella Nardoni, de 5 anos, foi jogada de uma janela do sexto andar do prédio onde seu pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, moravam, na Vila Isolina Mazzei, na zona norte de São Paulo. Acusado do crime, o casal está preso em Tremembé, no interior paulista, e aguarda julgamentoMinas: Em janeiro de 2007, Simone Cassiano da Silva foi condenada a 8 anos de prisão por ter jogado, um ano antes, a filha recém-nascida na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte. A menina, que estava em uma sacola amarrada a um pedaço de madeira, foi salva por pessoas que a viram na água

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