USP quer produzir onça-pintada de proveta

Mais de 20 anos após o nascimento do primeiro bebê de proveta, as mesmas técnicas que permitem a produção de embriões humanos em laboratório poderão em breve ajudar na preservação da onça-pintada, ameaçada de extinção. Em um laboratório na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP) estão estocados, em um botijão de nitrogênio líquido, os seis primeiros embriões da espécie produzidos por fertilização in vitro. O trabalho pioneiro é coordenado pelo veterinário Ronaldo Gonçalves Morato, do Departamento de Reprodução Animal. Seu objetivo é criar um banco genético com sêmen e embriões que possam ser usados na reprodução da onça-pintada. Morato espera fazer o primeiro implante ainda este ano. "Não adianta ter um banco genético se não tivermos o domínio da técnica de reprodução", observa. A onça-pintada vive na mata atlântica, no Pantanal, cerrado e Amazônia. É internacionalmente reconhecida como espécie ameaçada, mas não há estimativas populacionais. "A ameaça não é calculada pelo número de animais e sim pelo desaparecimento das condições ambientais que eles necessitam para sobreviver", aponta Morato.A reintrodução na natureza de animais nascidos em cativeiro não é viável porque as onças-pintadas vivem em grandes áreas (de até 50 quilômetros quadrados) e são extremamente territorialistas. Produzir uma onça de proveta não será tarefa fácil. As técnicas usadas são basicamente as mesmas da reprodução assistida de humanos, mas a aplicação em felinos apresenta uma série de dificuldades. Pesquisadores do Zoológico de Omaha, nos EUA, conseguiram produzir um filhote de tigre por fertilização in vitro em 1991. Até hoje tentam duplicar o experimento, sem sucesso.

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