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USP suspende cursos de especialização

A Universidade de São Paulo (USP) suspendeu, pelo menos até outubro, a autorização de novos cursos não gratuitos que venham a ser dados pela instituição. A pró-reitoria de pós-graduação estima que a maioria dos 112 cursos de especialização da universidade cobre taxas dos alunos. São principalmente os oferecidos pelas chamadas fundações de apoio à USP e estão entre eles, os famosos MBAs.?Precisamos definir qual é a conveniência para a USP de um curso ser gerenciado por uma fundação?, diz a pró-reitora de pós-graduação, Suely Vilela. ?Não podemos deixar que a universidade seja explorada, que seja apenas marketing (para o curso).?Esta foi justamente uma das razões da polêmica instaurada no ano pasado na USP sobre a atuação de entidades de direito privado, como a Fundação Instituto de Administração (FIA), Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Fundação Vanzolini, entre outras.Estima-se que existam 29 delas na universidade. Seus críticos dizem que as fundações ? por meio de seus cursos pagos e pesquisas feitas para empresas ou órgãos externos ? significam uma forma de privatização da universidade. Os defensores afirmam que elas trazem rapidez aos processos burocráticos da universidade pública e captam recursos externos indispensáveis.As fundações são formadas por ex-docentes da USP e, por intermédio de convênios com a universidade, realizam trabalhos empregando seus professores. Em virtude disso, foi instalada em abril uma comissão que vai analisar os objetivos de cada um dos cursos de especialização, debater seu financiamento e maneiras de acompanhar a sua realização.Nada disso existe até hoje. ?Faremos um diagnóstico de todos eles?, diz Suely. A partir daí, deve ser decidido se os cursos pagos ? autorizados desde 1995 pelo estatuto da universidade ? vão continuar existindo ou não na USP. ?Não tem fundamento proibi-los?, diz Claudio Felisoni de Angelo, diretor-presidente da FIA, entidade que teve dois pedidos de novos cursos suspensos, em abril. ?Vamos dar cursos para funcionários do Citibank de graça. Com que propósito??Segundo ele, a contribuição da FIA para a USP é maior do que o oposto. No ano passado, de acordo com Felisone, a fundação repassou R$ 2,8 milhões para a universidade. Segundo as normas dos convênios, 5% do arrecadado pelas fundações deve ser destinado à reitoria e outros 10% às unidades às quais elas são vinculadas. No caso da FIA, a Faculdade de Economia, Administração de Empresas e Contabilidade (FEA).?Os MBAs utilizam a marca USP e dão lucro para as fundações?, diz José Menezes, coordenador da Associação de Pós-Graduandos da USP, cujo parecer desfavorável aos cursos pagos desencadeou a discussão na pró-reitoria.Segundo Suely, os cursos de especialização não gratuitos dados na universidade custam entre R$ 5 mil e R$ 40 mil para o aluno. O trabalho da pró-reitoria se faz necessário também, já que esses cursos não são avaliados pelo governo federal. Isso porque eles são caracterizados como latu sensu e não fornecem ? inclusive os MBAs ? títulos de mestrado ou doutorado.

Agencia Estado,

28 de maio de 2002 | 22h48

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