Usuários de ônibus fazem quebra-quebra em Maceió

Cerca de quinhentos passageiros promoveram hoje pela manhã um quebra-quebra generalizado no terminal de ônibus do conjunto residencial Benedito Bentes, maior complexo habitacional da periferia de Maceió, por onde circulam por dia mais de 150 mil pessoas. O tumulto começou por volta das 7h da manhã, quando os passageiros se revoltaram com a falta de algumas linhas de ônibus, provocada por uma greve de motoristas e cobradores. Na confusão, o terminal foi parcialmente destruído, 12 ônibus apedrejados, quatro pessoas feridas levemente e cinco presas pela polícia. O quebra-quebra só não foi maior porque a polícia chegou cedo ao terminal rodoviário, entrando em confronto com os manifestantes. A manifestação foi reprimida por mais de 100 policiais civis e militares. Para dispersar os manifestantes, os policiais disparam vários tiros para o alto e perseguiram os agitadores. Os manifestantes presos foram soltos no final da manhã, depois de prestarem depoimento no 8º Distrito Policial. O secretário estadual de Defesa Social, Antônio Arecippo, que esteve no terminal destruído, mandou abrir inquérito para apurar os responsáveis pelos prejuízos.As empresas mais atingidas pelo quebra-quebra - Piedade, Cidade de Maceió e Cidade Sorriso - fazem parte do mesmo grupo empresarial. O diretor jurídico dessas empresas, Edílson Jacinto, acusou o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Divanildo Silva, de provocar o tumulto, convocando os trabalhadores para uma "greve sem sentido". Divanildo acusa o empresário de não pagar horas-extras, penalizar os trabalhadores com carga horária excessiva, cobrar multas de até R$ 120 para motorista que der carona e responsabilizar os trabalhadores pelos danos mecânicos nos ônibus.O superintendente da SMTT, José Lessa, também acusou o Sindicato dos Rodoviários de causar pânico entre os usuários, ao paralisar as atividades sem um aviso prévio. O sindicalista Divanildo Silva rebateu as críticas do superintendente, dizendo que desde o mês passado vem realizando greves alternativas, como a liberação das catracas, em protesto contra a defasagem salarial de 14,5% e o não pagamento de horas-extras por parte das empresas. "Estamos com três meses de horas-extras atrasadas", reclamou o sindicalista, lembrando que as manifestações vão continuar.

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