Celso Junior/AE-29/3/2011
Celso Junior/AE-29/3/2011

Vaccarezza afirma que Bolsonaro é ''deputado estúpido''

Líder do governo na Câmara ataca o colega que ontem chamou ação anti-homofobia do Ministério da Educação de ''bolsa-gay''

Eduardo Bresciani / BRASÍLIA e Lucas de Abreu Maia / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

01 Abril 2011 | 00h00

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), chamou de "estúpido" o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que em entrevista ao programa CQC, na noite de segunda-feira, classificou de "promiscuidade" a possibilidade de um filho se relacionar com uma mulher negra e fez ataques a homossexuais. Na Câmara, já são seis os pedidos de investigação contra o parlamentar e até o escritório da Unesco no Brasil defendeu a apuração do caso.

Vaccarezza afirmou que as declarações do colega são "mais do que racismo", mas destacou que os eleitores do parlamentar já as conheciam. "O Bolsonaro tem se caracterizado como um deputado estúpido, mas ele foi eleito com essa estupidez", afirmou o deputado petista.

O líder do governo na Câmara defendeu que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa faça um debate sobre os limites da imunidade parlamentar e afirmou que o caso de Bolsonaro não pode ser debatido somente no Conselho de Ética. "Qualquer deputado tem o seu direito à palavra garantido pela Constituição. Qual será o limite da imunidade parlamentar? Será que ela garante que um parlamentar defenda o holocausto?", questionou Vaccarezza.

Resposta. Em resposta ao colega petista, Bolsonaro ironizou a qualificação de "estúpido". "Se eu tivesse chamado o Vaccarezza do mesmo adjetivo, seria quebra de decoro, mas, como foi ele quem disse, é liberdade de expressão", rebateu. O deputado afirmou que "não vai descer ao nível que Vaccarezza desceu com essa declaração". Ele afirma que a sua resposta relativa aos negros foi dada porque não entendeu a pergunta na TV.

Quatro dos pedidos contra Bolsonaro na Câmara estão nas mãos do corregedor da Casa, Eduardo da Fonte (PP-PE). Bolsonaro poderá se defender na Corregedoria, e Fonte apresentará um parecer para que a Mesa decida se encaminha ou não o caso ao Conselho de Ética.

ONU. Os pedidos de punição ao deputado ganharam o apoio até da representação da Unesco no País. Em seu twitter oficial, o escritório da Unesco apoiou a investigação. "Unesco no Brasil defende apuração de denúncia de homofobia e racismo por parte de parlamentar", diz post veiculado na tarde de ontem.

Em entrevista à rádio Estadão ESPN ontem, Bolsonaro afirmou que não teme perder o mandato por suas declarações. "Tenho imunidade para roubar ou para falar? Para corromper ou para emitir opiniões?", questionou o parlamentar.

Ele criticou as políticas do governo de combate à discriminação contra a comunidade LGBT, como o kit anti-homofobia distribuído nas escolas da rede pública , que chamou de "apologia ao homossexualismo". "Querem criar uma bolsa de estudos para travestis e transexuais. É a bolsa-gay", atacou.

Bate e rebate

CÂNDIDO VACCAREZZA

DEPUTADO (PT-SP)

"Deputado estúpido"

JAIR BOLSONARO

DEPUTADO (PP-RJ)

"Seria quebra de decoro, mas, como foi ele que disse, é liberdade de expressão"

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