Andre Dusek/AE-5/9/2011
Andre Dusek/AE-5/9/2011

Vaga no TCU antecipa disputa eleitoral

Negociações para escolha de ministro envolvem acordos com vistas à sucessão presidencial em 2014 e ao próximo comando da Câmara

Christiane Samarco / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2011 | 00h00

Vai muito além do Tribunal de Contas da União (TCU) a briga travada na Câmara pela vaga de ministro da corte. O novo ministro deve ser escolhido no dia 21 em votação secreta e restrita ao plenário da Câmara. Nos bastidores, porém, a negociação envolve deputados, senadores e governadores preocupados com duas outras eleições: a de presidente da Câmara, em 2013, e a sucessão presidencial de 2014.

Essa articulação patrocinada por personagens da política nacional, a começar pelo governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, que aponta para o favoritismo da líder da bancada socialista, deputada Ana Arraes (PE). Decidido a eleger a mãe para o TCU, Campos viajou por vários Estados em busca do apoio de líderes que possam influenciar o voto de suas bancadas.

Foi a pedido dele que os governadores Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) já pediram votos para a deputada. Isto depois de Campos ter se reunido com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) para um café da manhã na casa de Ana Arraes, a pretexto de tratar da aliança PSB-PSDB em Belo Horizonte.

Com Alckmin e Aécio apoiando a candidata do PSB, não restou opção ao deputado tucano Fernando Francischini (PR) a não ser desistir da candidatura. Ele queria defender a presença de um delegado da Polícia Federal no TCU, mas foi atropelado pelo tucanato. Aécio preferiu focar na parceria estratégica com o PSB, de olho na própria candidatura presidencial em 2014.

Outro tucano, o deputado e presidente da sigla, Sérgio Guerra (PE), já foi do PSB e é um velho aliado da família Arraes. Com isso, estima-se que Ana teria pelo menos 30 dos 54 votos tucanos. Neste cenário, o líder Duarte Nogueira (SP) disse que a tendência é liberar a bancada.

Adversários. O ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo (PC do B-SP) também figura na lista dos mais competitivos. Sua candidatura rompeu a velha amizade com Campos. Antes de lançar Ana Arraes, o governador ofereceu apoio a Aldo, que na época não mostrou interesse pelo TCU. Agora, Campos tem dito que se sente traído.

Aldo conta com o voto de boa parte do PT, apoios avulsos em partidos governistas e a simpatia da bancada ruralista, conquistada na relatoria do Código Florestal. A tendência majoritária no DEM também é apoiar Aldo, em gratidão pela ajuda recebida ainda nos tempos de PFL: em 2006, Aroldo Cedraz (BA) chegou ao TCU superando o petista Paulo Delgado (MG), apoiado pelo governo federal.

No PMDB, a candidatura do veterano Átila Lins (AM), que já tentou o TCU quatro vezes, esbarra no projeto de eleger o líder Henrique Eduardo Alves (RN) presidente da Câmara. Parte da bancada não acredita que o PT cumprirá o acordo de rodízio na presidência da Casa. Diante disso, os peemedebistas se dividem entre os que acham melhor eleger Aldo - e tirar de cena o "candidato de terceira via" na Câmara - e os que preferem vê-lo perder a atual disputa, perdendo força para a eleição de 2013.

OS CANDIDATOS

Ana Arraes (PSB-PE)

Tem a simpatia do Planalto e padrinhos na oposição, como o tucano Geraldo Alckmin

Aldo Rebelo (PC do B-SP)

Busca o voto com base nas relações políticas que abrangem integrantes do PT ao DEM

Jovair Arantes (PTB-GO)

Ex-tucano, faz campanha com base nas relações pessoais construídas em cinco mandatos

Atila Lins (PMDB-AM)

Indicado pelo PMDB, não conseguiu fechar os votos da própria bancada a seu favor

Milton Monti (PR-SP)

Faz campanha contando com os 51 votos do bloco do PR e de amigos do PMDB

Rosendo Severo (PSOL e PPS)

Auditor federal, conseguiu ser apadrinhado por dois partidos de oposição

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.