''Vai dar certo. O cheiro de maconha no ar já diminuiu''

ENTREVISTA - Hélio Roberto Deliberador: pró-reitor da PUC-SP

, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2009 | 00h00

A PUC está perdendo alunos pela liberalidade no câmpus?Sem dúvida esse fato impactava negativamente a imagem da faculdade. Muitos pais não queriam que seus filhos escolhessem a PUC porque pensavam que aqui era um lugar de gente perdida. Mas essa não é a realidade global. A grande maioria se incomoda com isso.Por que só agora a reitoria resolveu enfrentar essa questão?A gente tinha medo da resistência no câmpus. É como em qualquer família: finge-se que o problema não existe para não enfrentá-lo. E se demora a admitir que ele existe. Tivemos um tempo para amadurecer essa ideia e o plano. Pesquisamos muito sobre a questão e estamos prontos para tratá-la de forma mais serena e rigorosa.Não temem reações?Não queremos gerar violência. Por isso nosso tratamento terá foco humanitário e respeitoso. Temos tradição de enfrentamento de questões sociais e essa é uma problemática que afeta toda a sociedade, não só a PUC. Em outras universidades também há consumo de drogas. Não temos grades ou catracas na entrada. Por isso essa sensação de liberdade criou o mito de que aqui o consumo de drogas seria maior.Haverá auxílio da polícia? Não vamos chamar a polícia para ninguém. O reitor já deixou isso bem claro. Não temos produção de drogas aqui. Não temos tráfico dentro da PUC. O tráfico acontece fora. Dentro da PUC não se vende drogas, cigarro ou qualquer bebida alcoólica. E essa é uma atribuição do Estado. Só queremos que olhem para a universidade com cuidado e como prioridade porque é aqui que a juventude está.Como foi a repercussão? Recebemos muitos e-mails de apoio nos parabenizando pela iniciativa. Tenho expectativa de que, a curto e médio prazo, nosso esforço vai mostrar resultados positivos. O cheiro de maconha no ar já diminuiu.

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