''''Vai ser difícil. Mas imagina se ele consegue resolver essa crise''''

Adrienne, a mulher, virou conselheira política de Jobim

Christiane Samarco e Rui Nogueira, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2027 | 00h00

Indagado se tem alguma pretensão para 2010, ano de disputa presidencial, o novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que chegou a ser cotado para o posto de vice na chapa da reeleição de Lula, foi taxativo ontem: ''''Nenhuma. Minha mulher não deixa.'''' Não foi o que a própria Adrienne Sena, sua conselheira política, deixara escapar minutos antes. Em conversa descontraída sobre o caos aéreo, ela falou do cancelamento do vôo que tomaria para São Paulo, à tarde, e sobre o ''''inferno'''' em que se transformou a vida dos profissionais que têm compromissos fora de seus Estados. A ex-presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) admitiu que o Ministério da Defesa dará muito trabalho ao marido, mas, depois de encher o peito e respirar fundo, conclui: ''''É, vai ser difícil. Mas imagina se ele consegue resolver essa crise!'''' Em meio às idas e vindas de Jobim, que demorou três semanas para dar o ''''sim'''' definitivo ao presidente Lula e assumir o cargo, Adrienne teve papel de destaque no desfecho favorável ao Palácio do Planalto. Tanto que, ao ser empossado por Lula, o próprio Jobim revelou porque mudara de idéia, depois de recusar o convite presidencial. ''''Porque minha mulher achou que eu deveria aceitar'''', disse. Verdadeira ou não, a versão da influência de Adrienne na decisão de Jobim é contada ainda com outro ingrediente a lhe conferir verossimilhança: no dia seguinte à decisão da ida de Jobim para o ministério, o próprio Lula teria ligado para Adrienne, agradecendo por ter ajudado a ''''liberar o marido''''. Ainda que o nome de Adrienne possa, nesse caso, estar sendo usado para enfeitar o jogo político, pois nem Jobim nem Lula precisariam dela para tomar a decisão final sobre a troca de guarda na Defesa, o certo é que ela tem estrada profissional e opiniões próprias e fortes o bastante para influenciar, sim, as escolhas do marido. Até porque a procuradora da Fazenda Adrienne Giannetti Nelson de Senna, de 50 anos, é uma mineira de Belo Horizonte que nasceu e cresceu ouvindo discussões políticos e presenciando jogos partidários. Adrienne formou-se em Direito na Universidade de Brasília (UnB). Desembarcou na capital, três décadas atrás, na companhia do pai, o então deputado federal Nelson de Senna, da Arena. Em 1996, no início do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), na condição de procuradora-geral adjunta do Ministério da Fazenda, Adrienne foi chamada para um grupo de altos funcionários com a missão de propor uma legislação contra a lavagem de dinheiro. Acabou, depois de um ano de estudos na Escola de Administração Pública da França e de aprovada, no Brasil, a lei antilavagem (9.613/98), recendo o convite do então ministro da Fazenda, Pedro Malan, para assumir o Coaf. O reconhecimento pelo trabalho de implantação do Coaf, reclamando sempre das condições precárias de trabalho e dos baixos salários pagos aos especialistas em combater os crimes financeiros, acabou levando Adrienne para o comando do Grupo de Ação Financeira Internacional (Gafi), que congrega os Coafs mundo afora. Durante sua gestão, no Brasil, o Coaf envolveu-se em duas grandes investigações: o caso Maluf-Nova Jersey e o do juiz Nicolau dos Santos Neto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.