Lama deve se dispersar por 9 km no mar, diz ministra

Izabella Teixeira disse que rejeitos terão 'grande impacto' no oceano, mas negou perspectiva de chegada a Abrolhos

Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo

19 Novembro 2015 | 15h53

A dispersão da lama proveniente da barragem da empresa Samarco que rompeu em Mariana no dia 5 de novembro pode ser de 3 km em direção ao norte e de 6 km em direção ao sul quando elas atingirem o mar pela foz do Rio Doce.

A informação foi dada nesta manhã pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, citando dados preliminares de uma modelagem que está sendo feita pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ela deu a declaração em resposta a uma suspeita, divulgada no jornal O Globo, de que a lama poderia chegar ao arquipélago de Abrolhos, localizado 250 km acima da foz. Do ponto do vazamento da barragem até o mar, a lama vai ter percorrido 657,4 km.

"As correntes estão na direção do sul, não do norte. Não há (esse risco) nas informações disponíveis até agora na modelagem feita pelo professor Paulo Rosman, da Coppe/UFRJ. Obviamente os dados são preliminares com base em vazão, concentração de sedimentos. Isso pode mudar no tempo com o acompanhamento da lama", afirma Izabella. "Não há expectativa de chegar em Abrolhos, nem mesmo em Vitória, que está a 120 km dali."

A ministra confirmou, porém, que a lama vai chegar ao mar e terá impactos. "Agora como a lama vai chegar, em qual quantidade, se vai mais para o fundo, isso depende de como vai entrar (no mar), considerando que a foz do rio está assoreada. Então tenho um ambiente estuarino antes de chegar no mar. Vai ser um grande impacto, provavelmente, nesse ambiente estuarino, que as pessoas estão trabalhando na prevenção."

Nessa faixa estimada de dispersão, Izabella afirma que há a presença de recursos pesqueiros. "Tem crustáceo, tem fauna de bento, vai ter impacto, mas fizemos um canal de desvio (na foz do rio, para facilitar a dispersão da lama) para não pegar a área de desova da tartaruga de couro (espécie ameaçada de extinção que vive no local)." O projeto Tamar está recolhemos os ovos do animal.

"Mas impacto vai ter. Como teve no Rio Doce, no trecho de Minas, onde a fauna acabou. A ictiofauna acabou. A calha do rio principal ficou impossível, especialmente para os peixes de fundo. Porque os peixes de superfície, muitos conseguiram migrar para os tributários, mas estão morrendo. A fauna ribeirinha foi impactada. É a maior catástrofe ambiental do País, isso é inegável", diz.

 

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