Vai-Vai dá show na avenida com enredo sobre a sala de aula

Escola do Bexiga fala da educação no Brasil e dá um banho de empolgação no público do Anhembi

Gustavo Miranda, estadao.com.br

03 de fevereiro de 2008 | 04h12

Com o enredo "Acorda Brasil", a Vai-Vai falou de um tema um tanto quanto delicado no Anhembi: a Educação no País. A idéia surgiu da peça de teatro de mesmo nome, escrita pelo empresário Antônio Ermírio de Moraes. Com uma composição ótima de Zé Carlinhos, Nayo Denai, Vagner Almeida e Danilo Alves, a arquibancada fez festa na mesma cadência da bateria da tradicional escola do Bexiga, que entra para a disputa e segue como forte candidata.  Veja as fotos do desfile  'Carnavais de SP e Rio são complentares', diz Serra   Veja as melhores imagens de todos os desfiles em SP   Qual escola de samba será campeã em São Paulo?   A Vai-Vai mostrou desde os primeiros minutos de desfile porque é a escola paulista com o maior número de títulos: 12. A promessa do carnavalesco Chico Spinoza se confirmou na avenida. Os efeitos especiais dos carros alegóricos compuseram uma das maiores atrações da agremiação: o carro abre-alas cuspiu fogo e água, diversas vezes, no Sambódromo do Anhembi. O desfile contou a história de um professor de uma escola carente que precisa superar diversos obstáculos sociais para ensinar música aos seus alunos.   A escola se apresentou com 30 alas, cinco carros alegóricos e 4.200 componentes. Além do show na avenida, o desfile também deu um show de arquibancada. O público fez coreografia e ilustrou a passagem da Vai-Vai pela avenida. Ivi Mesquita, rainha da bateria da agremiação, deu um show e liderou, com maestria, os ritmistas, na cadência do Mestre Tadeu. Tradicional escola da capital, a Vai-Vai mobilizou sua torcida que, de pé, cantou o samba-enredo da escola do Bexiga.  O carnavalesco se inspirou na peça 'Acorda Brasil!', do empresário Antônio Ermírio de Moraes, que foi inspirada na história do Instituto Baccarelli, fundado pelo maestro Silvio Baccarelli para ensinar música erudita a crianças e jovens da favela de Heliópolis, na Zona Sul. O maestro, o principal homenageado do desfile, entrou no sambódromo junto com outras figuras que o presidente da escola, Thobias da Vai-Vai, chama de "bons exemplos": José Vicente, reitor da Unipalmares (universidade voltada para a inclusão do negro), João Carlos Martins, especialista e intérprete da obra de Bach, e o polêmico Mano Brown, vocalista do grupo de rap Racionais Mc's.  Orçado em R$ 2 milhões, o desfile da Vai-Vai mostrou a importância da educação musical no combate à violência. O carnavalesco Chico Spinosa construiu uma réplica de favela em cima de um carro alegórico. A quinta alegoria da escola carregou uma réplica do Teatro Municipal. Nela, estavam componentes da velha-guarda, além de músicos da Orquestra Sinfônica de Heliópolis e o maestro Antônio Carlos Martins.  Sem ritmo, quem também tentava sambar em outro carro alegórico, que leva uma coroa gigante símbolo da Vai-Vai, era o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Ele ficou só na tentativa mesmo, porque faltou rebolado ao parlamentar. A comissão de frente fez uma performance irretocável, manifestando uma mulata como a fonte de inspiração para a criação de uma nova alternativa para os problemas do País, assim como é encarada a educação.

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