Vai-Vai e Águia de Ouro entram na lista de favoritas de SP

As escolas de samba Vai-Vai e Águia de Ouro se destacam na segunda noite de desfiles no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo. As cerca de 30 mil pessoas presentes cantaram e dançaram durante a passagens das 7 agremiações. As apresentações foram marcadas pelo luxo das fantasias e dos carros alegóricos. Aconteceram alguns atrasos por conta de problemas com carros alegóricos, mas nada que comprometesse o tempo previsto. Pérola Negra A primeira apresentação foi da Pérola Negra às 22h40, cinco minutos antes do horário previsto. Os animados integrantes pediram ao público garra e vibração para permanecer no grupo especial, no qual não desfilavam desde 2001. O público respondeu. A escola levantou as arquibancadas com o enredo "Venda como arte, comércio como sua principal representação". Os integrantes da comissão de frente seguravam um remo, em alusão às transações comerciais marítimas do passado. Tudo corria bem até que o segundo carro da escola quebrou na concentração e entrou muito atrasado, quase na mesma hora em que o abre-alas saía da passarela. Durante o desfile, os componentes da agremiação também tiveram de ajeitar a altura dos três bonecos do abre-alas que carregavam uma pérola negra, mas esbarravam em caixas de som colocadas na pista. Vai-Vai Em seguida foi a vez da tradicional Vai-Vai, do Bexiga, que mostrou condições de disputar o título com a bicampeã Império de Casa Verde, grande destaque da primeira noite, ao lado da Unidos de Vila Maria. Com o enredo ´O 4º reino - O reino do absurdo´, destacando a reciclagem, contagiou o público que balançava bandeirinhas distribuídas pela escola. Destaque para os carros alegóricos que foram precedidos de fogos de artifício, jatos de fogo, bolinhas de sabão e chuvas de espuma. No abre-alas, prateado, uma homenagem à tecnologia: um telão digital exibia cenas ao vivo do desfile e vinhetas da escola. Quem brilhou também foi a dançarina Scheila Carvalho que cumpriu a promessa de deixar o coração pulsar no ritmo da bateria, da qual foi madrinha. Unidos do Peruche Com uma homenagem a Maurício de Sousa, principal autor de histórias de quadrinhos do Brasil, a escola Unidos do Peruche, da Casa Verde, quer quebrar o jejum de 40 anos sem título. O carro abre-alas trazia um grande livro, que saudava a imprensa escrita falada e televisada. Os integrantes da comissão de frente viravam as páginas, que tinham o enredo e uma explicação do desfile. Outra surpresa foi a bateria. Os integrantes passaram o recuo e voltaram de costas. O homenageado, muito aplaudido durante todo o percurso, veio no último carro que trazia bonecos gigantes dos três principais nomes das histórias em quadrinhos brasileiras, Mônica, Cascão e Cebolinha. Mancha Verde Com um enredo sobre profecias e conflitos entre o bem e o mal, a Mancha Verde, que não concorre ao título por estar na categoria esportiva, foi a quarta escola a se apresentar, mas não chegou a animar a platéia. Em alguns momentos, o som da bateria foi prejudicado com o volume alto de um órgão sintetizador. Destaque para a rainha da bateria, Viviane Araújo, que entrou na avenida carregada em um andor. A porta-bandeira mais nova do Grupo Especial, de 16 anos, também chamou atenção. Águia de Ouro A Águia de Ouro empolgou o público no Sambódromo do Anhembi com a coreografia da bateria que, pela primeira vez, entrou logo depois da comissão de frente, formada por bailarinas. Ao final do desfile, alguns foliões soltaram um ´é campeã´. O enredo "Deus fez o homem de barro e a Águia de Ouro, um Brasil feito à mão", homenageava o artesanato brasileiro. A bateria da agremiação, que em 2006 ficou em sétimo lugar, fez uma evolução seguida de breque. Os ritmistas que chegaram a batucar agachados. Também ocorreram outras peripécias no momento em que percussionistas entraram no recuo e os tamborins permaneceram na passarela. Em fileiras, eles fizeram referência a águia do abre-alas e, em seguida, houve uma ´paradinha´ no samba. A escola, conhecida por apresentar temas polêmicos - como em 2006 quando tratou de pedofilia, fez um desfile bonito, com fantasias vistosas. Destaque para a ala mirim em que as crianças representaram bonecas de pano. Outro ponto foi o casal infantil de mestre-sala e porta-bandeira. Na ala das baianas, as fantasias apresentavam muito brilho nas cores azul e branco para reproduzir a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Rosas de Ouro A comissão de frente da Rosas de Ouro emocionou o público ao representar o quadro "Natureza Morta", pintado por Candido de Portinari, em 1930. Os bailarinos se passaram de migrantes nordestinos. A escola da Freguesia do Ó entrou no sambódromo do Anhembi às 4h10 deste domingo para cantar "Tellus Mater, o cio da terra". Com o samba-enredo que falava da criação do Universo, o carnavalesco Fábio Borges busca sair do jejum de 12 anos sem títulos do Grupo Especial. Integrante da Rosas há sete anos, a modelo Ellen Roche estreou no Anhembi como madrinha de bateria. Outro destaque também foi ala das passistas. As belas meninas saíram do meio da bateria. O primeiro astronauta brasileiro, Marcos Pontes, marcou presença no quarto carro "A terra é azul na Rosas de Ouro". A última ala retratou um assunto do momento, o aquecimento global. O carro que trazia dinossauros tentou explorar a sonoplastia, mas não surtiu o efeito desejado pelo barulho do sambódromo. Os grunhidos ficaram incompreensíveis em algumas partes do trajeto. A Rosas contou com grande torcida nas arquibancadas. Mocidade Alegre Última escola a se apresentar neste domingo, a Mocidade Alegre trouxe para o Anhembi o riso como tema. A escola conseguiu retratar o assunto com sucesso, trazendo cores vibrantes e alegorias que chamaram a atenção do público. Destaque para a comissão de frente, que era formada por palhaços e apresentou diversas coreografias. O samba-enredo, de letra fácil, ajudou público, que acompanhou a melodia, especialmente no trecho "batam palmas... no circo o show vai começar". A escola, que faz 40 anos em setembro, também aproveitou o desfile para iniciar as comemorações. O último carro alegórico, com o nome "Sorria, é carnaval", trazia fotos em preto e branco mostrando diversos momentos ao longo da história da escola. A rainha da bateria, Nani Moreira, afirmou estar totalmente recuperada do acidente ocorrido no último desfile - no ano passado sua fantasia pegou fogo, causando queimaduras no braço e na testa. Nani estava muito animada, e continuou sambando durante alguns minutos após a escola ter deixado a avenida. Na saída, foi muito aplaudida pelos integrantes da escola.

Agencia Estado,

18 Fevereiro 2007 | 07h29

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