Vaias a Maluf e palmas a Tiririca

De novo. Maluf recebe diploma de deputado na Assembleia

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2010 | 00h00

Em meio a uma diplomação protocolar e repleta de rostos conhecidos dos eleitores paulistas, dois deputados federais eleitos quebraram a monotonia ontem pela manhã no auditório da Assembleia Legislativa de São Paulo: o novato Tiririca (PR) e o veterano Paulo Maluf (PP).

O primeiro, acusado durante a campanha de ser analfabeto e de ter falsificado um documento, o que o impediria de assumir o cargo na Câmara, recebeu o diploma da Justiça sob efusivos aplausos. Maluf, ao contrário, ouviu vaias.

Francisco Everardo de Oliveira Silva, o palhaço Tiririca, foi o primeiro parlamentar federal chamado na cerimônia. ''Obrigado'', murmurou, ao ser ovacionado pelo plenário da Assembleia. Tirica foi deputado federal mais votado do Brasil, com mais de 1,3 milhão de votos.

Em seguida, Tiririca cumprimentou, esfuziante, o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), também diplomado pela Justiça na manhã de ontem, e seu vice, Guilherme Afif Domingos (DEM).

"O povo decidiu nas urnas. Escolheu seus representantes para os governos federal e estadual e para o Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Agora é hora de fazermos a nossa parte. Por isso, este é um momento de alegria", disse Alckmin

Tiririca travou batalha judicial, em meio a suspeitas de analfabetismo e falsidade ideológica, para assumir sua cadeira no Congresso. Ele não quis dar entrevistas. Na saída, o palhaço foi escoltado por seguranças até o carro. Sorria sem parar e agradecia a Deus. Perguntado por um repórter se conhecia e o que fará pela região do Alto Tietê, no interior do Estado, respondeu: "Conheço" e "muita coisa boa".

Maluf exibiu seu diploma para as câmeras de TV com sorriso de quem obteve uma vitória no apagar das luzes. Somente ontem à noite ele conseguiu uma liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para voltar ao Congresso por mais quatro anos.

A decisão do TSE é um efeito cascata de sua absolvição no caso Frangogate, ainda nesta semana, pela 7ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), por 3 votos a 2. A decisão tirou o ex-governador e ex-prefeito do alvo da Lei da Ficha Limpa, que impede políticos condenados em segunda instância de assumiram cargos.

No plenário da Casa, porém, Maluf foi vaiado. Apenas uns poucos integrantes de sua claque pessoal tentaram, em vão, incentivá-lo. "As vaiais são dor de cotovelo", dizia um dos apoiadores do ex-prefeito paulistano.

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