Valdebran confirma que recursos para dossiê são do PT

Após mais de três horas de depoimento na sede da Polícia Federal em Cuiabá (MT), o empresário Valdebran Padilha continua afirmando que o dinheiro com o qual foi preso seria entregue à família Vedoin. Contudo, até às 15 horas, Valdebran ainda não contou qual é a fonte destes recursos, apenas que viria do PT. Ele também esclareceu que este dinheiro seria destinado aos Vedoin, pois a família alegou dificuldades financeiras, problemas de doença na família e bens bloqueados. Valdebran Padilha, que é filiado ao PT, foi detido pela Polícia Federal na sexta-feira, dia 15, juntamente com Gedimar Passos com R$ 1,75 milhão em um hotel em São PauloDurante seu depoimento, com a falta de informações sobre a origem do dinheiro, Valdebran foi advertido pelo delegado Diógenes Curado sobre as conseqüências jurídicas do falso testemunho. Ele entrou em várias contradições para não informar a procedência do dinheiro. Perto das 13 horas, a primeira parte do depoimento de Valdebran Padilha foi interrompida por duas horas para o almoço.O advogado de Valdebran, Luiz Antonio Lourenço da Silva, disse que os documentos com supostas denúncias contra tucanos no esquema de venda de ambulâncias superfaturadas seriam entregues à Justiça, para verificar se havia fatos criminosos, e depois ao PT. Ao ser perguntado se seria entregue ao PT local ou nacional, o advogado não soube responder. "O PT é o PT", afirmou.Para o advogado, Valdebran não cometeu crime algum. No depoimento, segundo relato do advogado, Valdebran disse que o empresário Luiz Antonio Vedoin, dono da Planam - empresa que atuava como pivô na máfia -, é que o procurou para dizer que estava em dificuldades financeiras e que tinha os tais documentos. O empresário disse que não comprou os documentos e que apenas ajudou a família Vedoin.Ainda de acordo com o depoimento do empresário, quem tratou dessa parte do dinheiro foi Gedimar Passos, que atua na área de inteligência na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até a interrupção para o almoço, não havia confirmação sobre a acareação prevista para esta terça-feira entre os depoentes Gedimar Passos e Valdebran com Luiz Antonio Vedoin e Paulo Roberto Trevisan, tio de Luiz, que foi detido pela PF na quinta-feira portando vídeos e fotos que comprometiam os tucanos.Prisão decretadaO procurador da República responsável pelo caso, Mario Lúcio Avelar, decretou na manhã desta Terça-feira a prisão de Luiz Antonio e Darci Vedoin, que estavam em liberdade por colaborarem nas investigações da CPI. Além disso, o procurador ainda encaminhou à justiça pedido de prisão do ex-assessor presidencial Freud Godoy, acusado de intermediar a compra dos documentos.O advogado do Valdebran comentou que seu cliente não conhece Freud Godoy. Segundo o advogado, os contatos com Freud eram feitos por Gedimar. Luiz Lourenço disse que o Gedimar fez o contato informando que o dinheiro seria uma ajuda para o Luiz Antonio Vedoin, que vinha passando dificuldade e privações por que estavam com os bens bloqueados.

Agencia Estado,

19 de setembro de 2006 | 15h25

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