Mauro Pimentel/AFP
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Vale anuncia doação de R$ 100 mil a cada família de vítima

Para minimizar as perdas e os prejuízos à população, a Vale vai manter o pagamento de royalties para Brumadinho por tempo indeterminado, para não prejudicar a arrecadação municipal

Fabio Grellet e Fernanda Nunes, RIO

28 de janeiro de 2019 | 21h26

O diretor Financeiro da Vale, Luciano Siani, anunciou nesta segunda-feira, 28, a doação de R$ 100 mil para cada família das vítimas fatais e desaparecidos e consequência do rompimento da barragem da empresa em Brumadinho (MG). Ele esclareceu que o dinheiro será doado para “aliviar os problemas de curto prazo” dos atingidos e não será contabilizado como indenização. 

A Vale também espera que os danos ambientais sejam limitados com a instalação de uma espécie de “manta” na altura da cidade de Pará de Minas (MG) para conter a lama no rio Paraopeba, já contaminado. Com isso, a empresa espera evitar o comprometimento do abastecimento de água na região.

Profissionais de saúde do Hospital Albert Einstein foram chamados para ajudar as vítimas. A empresa “vai apresentar um plano ousado” para reestruturar suas barragens, disse Siani. “Até agora, a única informação relevante que liga os dois acidentes (de Mariana, em 2015, e Brumadinho) é que foram duas barragens construídas com método de alteamento a montante, método mais antigo. Essa barragem (de Brumadinho) é de 1976, com esse método que hoje não se usa mais. Temos de contratar especialistas para que nos deem respostas.”

Para minimizar as perdas e os prejuízos à população, a Vale vai manter o pagamento de royalties para Brumadinho por tempo indeterminado, para não prejudicar a arrecadação municipal. A cidade recebeu cerca de R$ 140 milhões em 2018, 60% relativos à mineração. 

Siani disse ter ficado surpreso com “aparente imprudência” pela construção de um refeitório e de salas administrativas logo abaixo da barragem. Destacou que o engenheiro responsável pelo monitoramento da segurança estava no refeitório no momento do rompimento e deve estar entre as vítimas.

Questionado sobre os comentários do vice-presidente, Hamilton Mourão, sobre supostas mudanças na diretoria e controle da Vale, o executivo afirmou não ter competência para responder a esse tipo de questão e que essa não é uma prioridade.

 

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