Vale do Paraíba é castigado pelas chuvas

A cidade de Piquete teve queda de barreiras, enchentes e prejuízos às famílias

Simone Menocchi, de O Estado de S. Paulo,

29 Novembro 2008 | 21h22

Em menos de três dias, a cidade de Piquete, no Vale do Paraíba, foi castigada por duas pancadas de chuva, que provocaram queda de barreiras, enchentes e prejuízos às famílias de pelo menos seis bairros.  Veja também: Chuva deixa Taubaté sem água e interdita rodovia Com a chuva pedras enormes tomaram conta da pista e a BR 459 que havia sido liberada de uma interdição de chuva, 24 horas antes, voltou a ser bloqueada. O solo ficou encharcado e muita terra e pedra desceram morro abaixo, dando passagem somente a máquinas especializadas e tratares. Foram mais de 15 horas de trabalho para tentar desobstruir as duas pistas, que até o início da tarde ainda estavam sem passagem. Motoristas de caminhão tiveram que ficar esperando, durante à noite, até que as máquinas chegassem no dia seguinte. "Fazer o que, não dá pra largar o caminhão aqui", diziam. Operários de uma fazenda próxima da estrada ajudavam quem não podia passar e os funcionários públicos que tentavam limpar a estrada. "É muito triste ver tudo isso. Hoje ajudei uma família de quatro pessoas que escapou da morte, mas perdeu tudo, casa, móveis e tudo", disse o dono de uma propriedade próxima da BR 459, Giampaolo Bonora. A chuva caiu por volta das 8 horas e não foi tão demorada, porém a força das águas é que complicou a vida dos moradores de Piquete. Na noite da última terça-feira outra forte chuva também provocou estragos.  A tromba d'água registrada na cidade na noite de sexta-feira fez dezenas de famílias perderem seus pertences como móveis, roupas e alimentos. Os bairros mais atingidos foram Alto da Bela Vista, Beco do Tomás, Bairro da Tabuleta, Benfica, Vila Cristina e Vila Célia.  O casal Joice e Eberton Pereira da Silva teve que tirar as crianças de casa pela janela, já que um deslizamento de terra destruiu parte dos cômodos. "Quase morremos de medo também. Foi um sufoco", disseram. Eles se refugiaram na casa da mãe de Eberton, Rosângela Silva, que também corre o risco de sofrer com o deslizamento, já que é vizinha à casa do casal. "As autoridades deveriam tomar providência, porque morar assim, dá muito medo", afirmou.  A falta de energia elétrica salvou a vida e a família de Luiz Oliveira. Ao perceber que tinha acabado a luz ele saiu de casa para verificar o poste e ouviu um estralo. "Tive tempo de gritar para minha família também sair". O imóvel teve que ser interditado pela Defesa Civil, com risco iminente de desabar. Luiz e a família, assim como outras dezenove famílias, foram transferidos para prédios públicos, por não poderem permanecer em casa.  A população está completamente sem água potável porque pedras e muita lava obstruíram a rede de tratamento e distribuição de água. O prefeito deve decretar estado de calamidade na próxima semana. Segundo Otacílio Rodrigues a prefeitura deve pedir ajuda aos governos do Estado e da União. "Vão pelo menos seis meses para arrumar tudo".

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