Governo de Minas apura uso de barragem pela Vale

Regulamentação interna da Secretaria de Meio Ambiente exige que transporte seja informado e conste do licenciamento ambiental

Leonardo Augusto, Especial para O Estado

24 Novembro 2015 | 15h33

Atualizada às 23h41

BELO HORIZONTE - A Secretaria de Meio Ambiente (Semad) de Minas Gerais investiga o transporte de rejeitos de minério de ferro que vinha sendo feito pela Vale para a Barragem do Fundão, de propriedade da Samarco. O reservatório de Mariana ruiu no dia 5, provocando uma enxurrada de lama. Uma regulamentação interna da Semad exige que o transporte seja informado e conste do licenciamento ambiental, cabendo punição à empresa por descumprimento.

O envio de rejeitos da Vale para Bento Rodrigues foi revelado nesta terça-feira pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmado pela multinacional. Técnicos do governo do Estado iniciaram na manhã desta terça-feira a análise na documentação, cujos primeiros papéis datam de 1984. Ao todo, são cerca de 2 mil páginas. O levantamento só deverá ser concluído nesta quarta-feira, 25.

Em nota, a Vale afirmou que o uso que fazia da barragem de rejeitos de minério de ferro do Fundão era regido por contrato e o termo dava a Samarco, dona da represa, como “responsável pela gestão, controle e operação dessa deposição”. A Samarco é controlada pela Vale e pela empresa anglo-australiana BHP Billiton.

O texto oficial diz também que o material enviado para o Fundão vinha de Alegria, uma das minas locais da Vale. O total de rejeitos transportados pela empresa para a represa da Samarco seria de 5% do que era depositado anualmente na barragem. Ao ruir, Fundão estava com 55 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro, de um total possível de 60 milhões de metros cúbicos, conforme dados divulgados até o momento. As causas da ruína ainda são investigadas.

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