Valentina é absolvida pelo júri de Altamira: 6 a 1

Acusada de co-autoria intelectual por castração e morte de crianças em Altamira, entre 1989 e 1993, a paranaense Valentina de Andrade foi absolvida pelos sete jurados por 6 votos a 1, depois de 17 dias de julgamento. A decisão do júri, composta em sua maioria por mulheres, provocou revolta entre as mães das vítimas. Algumas desmaiaram após a leitura da sentença pelo juiz Ronaldo Valle e precisaram de atendimento médico numa sala do Tribunal de Justiça. A própria Valentina desmaiou no momento em que era lida a sentença. "É esta a justiça que temos? Isso não é justiça de Deus é justiça do diabo?, disse Rosa Pessoa, mãe de Jaenes Pessoa, uma das crianças mortas. Para ela, infelizmente o júri, composto por pessoas do povo, perferiu aceitar as encenações de Valentina e de seus advogados a considerar as provas dos autos. "Eu estou surpreso e envergonhado com esse resultado", emendou o padre Bruno Secchi, que dirige há mais de 30 anos trabalho comunitário com crianças carentes no Pará, além da República de Emaús. A promotora Rosana Cordovil e o assistente da promotoria, Clodomir Araújo, anunciaram que irão recorrer da decisão. "A decisão contraria tudo o que está nos autos", afirmaram. O advogado Cláudio Dalledone Júnior comemorou a decisão, enfatizando a "sabedoria dos jurados", que para ele não se deixaram levar pela imprensa ou pela contundência da promotoria. Do lado de fora do Tribunal de Justiça, parentes das vítimas e representantes de entidades de direitos humanos protestaram contra a absolvição. Advogados ligados às entidades de defesa dos direitos das crianças argumentam que a absolvição de Valentina consagrou a necessidade de revisão do Tribunal do Júri, composto por leigos em Direito e que julgam com base na emoção e na sagacidade de promotores e advogados, desprezando em muitos casos as provas dos autos.

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