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Valério cobra investigação sobre Lula

Publicitário diz ser relevante apurar ''condutas dos interessados no suporte político''; Dirceu nega acusação de que controlava ações do PT

Felipe Recondo / BRASÍLIA e Fausto Macedo / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2011 | 00h00

O empresário Marcos Valério, um dos artífices do mensalão, alegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não pode ser condenado por supostamente intermediar o financiamento do esquema se o ex-presidente Lula - um dos principais beneficiários, segundo ele - não foi denunciado.

Nas alegações finais encaminhadas ontem ao STF, Marcelo Leonardo, o advogado de Valério - denunciado por corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, quadrilha e evasão de divisas - argumentou que interessaria no processo julgar as condutas daqueles que seriam os interessados na compra de votos e de apoio da base aliada, incluindo o presidente Lula, seus ministros, o PT e os partidos que integravam a base e que receberam recursos do esquema.

Condená-lo, argumentou o advogado, seria dar "importância desmedida" ao "simples operador intermediário". Trata-se, diz ele, de "raríssimo caso de versão acusatória de crime em que o operador do intermediário aparece como a pessoa mais importante da narrativa, ficando mandantes e beneficiários em segundo plano, alguns, inclusive, de fora da imputação, embora mencionados na narrativa, como o próprio ex-presidente Lula".

O publicitário seria apenas, ressalta Leonardo, "o operador do intermediário dos repasses de recursos financeiros, sempre sob orientação do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares".

Relevantes para o processo "seriam as condutas dos interessados no suporte político "comprado" (presidente Lula, seus ministros e seu partido) e dos beneficiários financeiros (partidos políticos da base aliada), sendo o PT o verdadeiro intermediário do suposto "mensalão"".

Valério é o segundo réu do mensalão a cobrar a responsabilização de Lula. Em seguidos pedidos ao STF, o ex-deputado Roberto Jefferson, delator e beneficiário do esquema, cobrou a inclusão do ex-presidente na lista de denunciados. Procurada, a assessoria de Lula preferiu não comentar a defesa de Valério.

Dirceu. O ex-ministro José Dirceu, também em alegações finais ao Supremo, rechaçou uma a uma as acusações. Em 160 páginas subscritas por seus advogados, José Luís Oliveira Lima e Rodrigo Dall"Acqua, o ex-ministro rebate a acusação de que controlava as ações do PT. Segundo eles, "não há qualquer elemento no processo que possa sequer sugerir que Dirceu tinha conhecimento de questões relacionadas à administração ou finanças do PT no período que esteve à frente da Casa Civil".

Dirceu sustenta que as provas demonstram que ele "não mantinha vínculos com Marcos Valério, sendo completamente descabida a alegação de qualquer espécie de relação entre ambos."

"A análise do processo demonstra a falta de lógica no raciocínio da acusação, uma vez que parlamentares supostamente corrompidos integravam a base aliada, ocupavam ministérios e sempre votaram a favor do governo Lula, que já apoiavam até mesmo nas eleições de 2002".

Os criminalistas também anotam que a Procuradoria-Geral da República "não consegue estabelecer qualquer relação entre saques e votações, pressuposto indispensável para as acusações". Para Dirceu, "ficou provado que a secretaria financeira do PT agia com plena autonomia" e que ele, afastado do partido, "não tinha qualquer interferência em suas ações". "Todos os testemunhos corroboram as declarações do próprio Delúbio Soares (ex-tesoureiro), que sempre negou ter agido sob influência de Dirceu. Todas as provas mostram que Delúbio atuava com independência."

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